Nanopartículas guiadas contra o câncer

Por , 1 de Julho de 2016 a las 07:00
Nanopartículas guiadas contra o câncer
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Nanopartículas guiadas contra o câncer

Por , 1 de Julho de 2016 a las 07:00

Cientistas conseguem usar células-tronco como “meios de transporte” para levar nanopartículas carregadas de fármacos ao lugar de um tumor maligno.

A nanotecnologia leva anos mostrando seu potencial no cuidado da saúde. Desde a nanomedicina contra o câncer de mama e cólon a novos fármacos para curar doenças que afetam ao cérebro, as pesquisas nos aproximam de um futuro onde esta disciplina seja essencial no diagnóstico e tratamento de diferentes patologias.

Nesse sentido, uma das grandes esperanças da medicina personalizada reside nas nanopartículas. Como demonstra o trabalho de Medcom Tech, estes sistemas nanotecnológicos podem “guiar” os fármacos ao lugar onde estão os tumores malignos, com o objetivo de melhorar a eficácia das terapias e reduzir os efeitos secundários.

Com o objetivo de aproveitar as vantagens das nanopartículas carregadas de fármacos antitumorais, a Universidade Complutense de Madri completou com sucesso um experimento para tratar os tumores de mama em cultivos celulares e modelos animais. Fizeram isso usando células-tronco da placenta, um tipo de células do organismo que também apresenta certas propriedades contra as células malignas.

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Os cientistas usaram células-tronco mesenquimais, umas células do nosso corpo que podem ser encontradas na placenta. Sua aplicação serviu para que funcionem como “veículo” das nanopartículas e os medicamentos, devido a sua capacidade migratória, que permite que elas façam esta “curiosa viagem” e desta maneira multiplicar o efeito dos fármacos. O trabalho, publicado na revista Acta Biomaterialia, foi realizado em colaboração com pesquisadores do Grupo de Medicina Regenerativa em colaboração com pesquisadores do Grupo de Medicina Regenerativa do Hospital 12 de Outubro de Madri.

“Essa capacidade de migração em direção aos tumores do peito foi estudada tanto in vitro como in vivo e observamos que as nanopartículas chegam a seu objetivo graças a estes fantásticos veículos celulares”, expica Ana Isabel Flores, responsável do Grupo de Medicina Regenerativa e coautora do estudo. Os resultados foram obtidos em dois contextos diferentes: linhas celulares no laboratório por um lado e, por outros, em ratos.

Desta maneira, a ação combinada das células-tronco da placenta, as nanopartículas e os fármacos anticancerosos demonstrou ser muito eficiente nas condições analisadas. Assim, os cientistas viram que, pelo menos em modelos animais, evitam-se os efeitos secundários deste tipo de tratamentos, além de duplicar a eficácia da terapia. Com este método também se driblam dilemas éticos associados ao uso de células-tronco embrionárias, ao proceder este tipo celular de uma pessoa adulta. Agora devem continuar os estudos em outros modelos animais e em seres humanos para comprovar se este tratamento é seguro e eficaz contra o câncer.

Imagens | Radiotrefoil (Wikimedia), Universidad Complutense de Madrid

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