Quanto tempo necessita a natureza para degradar nosso lixo?

Por , 12 de Fevereiro de 2016 a las 19:00
Quanto tempo necessita a natureza para degradar nosso lixo?
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Quanto tempo necessita a natureza para degradar nosso lixo?

Por , 12 de Fevereiro de 2016 a las 19:00

Você sabia que um Tetra brik demora até 30 anos para desagradar-se? Ou que a natureza necessita até 300 anos para desintegrar algo tão inofensivo como uma boneca de plástico?

O aumento desproporcional do volume de resíduos que geramos diariamente, somado à ineficácia das alternativas propostas para eliminá-los, transformou-se em um grave problema ambiental para a maioria das cidades. Mas o problema se incrementa naqueles lugares do mundo onde se amontoa clandestinamente tudo o que se descarta, sem considerar as possíveis consequências que podem ocasionar tanto para o meio ambiente como para a saúde das pessoas que ali vivem. Como administrar o lixo? Quanto demora a natureza em degradar o lixo que geramos?

Desde o começo, a natureza soube degradar com relativa facilidade os compostos naturais gerados. Mas com a revolução industrial, no Ocidente iniciou-se uma era de confiança na capacidade criadora e transformadora do homem que evolucionou para uma sociedade urbana, industrial e diversificada.

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Com o progresso chegou também uma nova geração de resíduos e materiais a serem decompostos e os microorganismos começaram a ter sérias dificuldades para poder degradar o lixo gerado pela mão do homem. Na atualidade, o aumento do volume de lixo e a diversificação dos resíduos gerados, criou uma situação insustentável onde os ciclos de decomposição são cada vez mais complexos e prolongados no tempo.

A produção de lixo é alarmante e grande parte dele acaba acumulando-se sem controle em lixões ou no fundo dos oceanos. Onde colocar tanto lixo? Esta pergunta leva anos sem ter uma resposta concreta que ajude a amenizar esta situação, por isso os especialistas apelam para a educação meio ambiental da sociedade para que consuma de forma responsável e que descarte de forma seletiva os resíduos gerados para sua reciclagem.

Do lixo que descartamos todos os dias, talvez o menos problemático de todos seja o papel. Composto basicamente de celulose, apenas requer 1 ano para ser degradado. Porém, se apela a seu consumo responsável e sua reciclagem para reduzir o impacto gerado pelo desmatamento indiscriminado de novas árvores para fabricar papel.

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Encontramos o problema nas embalagens como as latas de refrigerante ou cerveja. 10 anos é o que demora a natureza em transformar em óxido de ferro os 210 micrômetros de espessura do aço da embalagem, coberto de verniz e estanho. As embalagens descartáveis de polipropileno, os copos de plástico comum, também demoram uma média de 10 anos para que sejam reduzidos em moléculas sintéticas pela ação da natureza.

Mas a coisa piora no caso dos denominados tetra-briks, que apesar de não serem tão tóxicos quanto as embalagens de polipropileno ou o poliestireno empregado para fabricar as caixas de ovos, necessita até 30 anos para degradar-se, graças em parte a seu conteúdo em alumínio. Neste grupo incluímos as tampinhas de garrafa, que apesar de sua insignificante espessura, necessitam uma oxidação prévia para sua decomposição, que pode prolongar-se até 30 anos.

Os frascos de laquê e espuma são outro osso duro de roer para a natureza, e além do mais em dobro. Por um lado, temos o inconveniente do aerossol, por seu conteúdo em clorofluorocarbonos, e por outro lado, temos a estrutura metálica da embalagem, cujo passo prévio à decomposição é a oxidação. Uns 30 anos como mínimo.

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O plástico é outro dos grandes desafios da natureza por seu conteúdo em tereftalato de polietileno, também conhecido como embalagens PET. Expostas ao ar livre e à ação direta do sol perdem tonicidade, se racham e após 50 anos começam a se separar e dispersar. Enterradas, duram muito mais já que os micro-organismos não possuem mecanismos para atacá-las e podem chegar a demorar de 100 a 1.000 anos em se desintegrar.

As polêmicas sacolas de plástico, feitas com polietileno de baixa densidade, podem chegar a demorar até 150 anos para desaparecer. No caso dos calçados esportivos (Tênis), compostos de couro, tecido, borracha e espumas sintéticas, a coisa não melhora e levam até 200 anos para sua desintegração completa.

O mesmo acontece com objetos tão inofensivos como as bonecas de plástico, os raios ultravioletas podem chegar a desintegrar o material em moléculas menores, mas necessitam de até 300 anos para desaparecer completamente. Também temos as pilhas descartáveis com mais de 1.000 anos, independentemente de seu fator de oxidação pela presença de mercúrio. Mas o recorde fica nas mãos das garrafas de vidro, em qualquer de seus formatos, com 4.000 anos.

Podemos inventar novas tecnologias para acelerar o processo de degradação do lixo, mas os especialistas garantem que a luta mais efetiva contra este grave problema ambiental é apostar pela reciclagem, a educação ambiental e o consumo responsável. Do lixo eletrônico falaremos outro dia.

Imagens | via pixabay

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