Cinco tendências da inovação televisiva marcadas pela incerteza

Por , 4 de Novembro de 2016 a las 19:00
Cinco tendências da inovação televisiva marcadas pela incerteza
Futuro

Cinco tendências da inovação televisiva marcadas pela incerteza

Por , 4 de Novembro de 2016 a las 19:00

Da mesma forma que acontecimentos inesperados irrompem no cotidiano da humanidade e mudam para sempre nossa perspectiva sobre as coisas (descobrimentos científicos, Hiroshima, o Holocausto, a hipercomunicação com o celular e a internet…), desta forma a Teoria do “cisne negro” nos explica como às vezes, somente às vezes, acontece o imprevisível e como isto nos faz evoluir. Se ao longo da história nos encontramos com diferentes eventos que ninguém esperava, provavelmente alguns que ninguém jamais sequer se aproximou a prever, também no mundo da televisão se enfrentam a marcos sobre os que surgem dúvidas de se serão ou não the next big thing que marcará o futuro da indústria.

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E o que vem a ser o “cisne negro”? Quando Nassim Nicholas Taleb publicou seu livro em 2007 baseado numa série de acontecimentos inesperados, normalmente ignorados devido a suas baixas probabilidades de acontecer estava remarcando aquilo que muitas empresas tecnológicas levavam anos tentando justificar: a teoria da inovação disruptiva e a impossibilidade de prever o futuro. Se todos esses acontecimentos, apenas alguns ao longo da história, têm algo em comum é sua grande capacidade para surpreender, impactar e romper com o anterior.

Exaustos ante a proliferação de serviços de vídeo online, expectantes ante a batalha entre telas e dispositivos, ansiosos por conhecer as novas estreias e produções e, principalmente, entregues à incerteza de se a dourada posição que até agora ocupava o conteúdo passará a ser dividida com a audiência e a distribuição e quem assumirá o reino, se é que existe apenas um trono… Esta é exatamente a situação na que se encontra a televisão, ou o mundo do vídeo no geral, e esta é a sensação depois do MipCom, um dos festivais de conteúdo de entretenimento mais importantes do mundo, que reuniu os agentes mais relevantes da indústria na última semana em Cannes. Aqui vão os cinco trending topics mais debatidos:

  1. Realidade Aumentada e Realidade Virtual. Ou o efeito Pokémon Go. Não há dúvidas de que a VR chegou para ficar, se bem ainda está um pouco no ar, especialmente devido aos elevados custos de produção, se dará o salto definitivo para a telona. Muito mais próxima e prática se mostra a realidade aumentada, aquela que usa a realidade para superpor outras, pelas possibilidades de interação que oferece ao usuário, combinado com um smartphone.
  2. 4K Ultra High Definition. E poderíamos continuar somando acrônimos em finlandês… mas, ao menos no momento, não parece que este seja o novo “cisne negro”, a pesar de que melhora consideravelmente a percepção da imagem. Japão, embaixador de honra desta última edição do MipCom, mostrou ao resto da indústria como a rede NHK já emite sua programação completamente nesta tecnologia, e aposta já pelo 8K… Mas no resto do mundo a produção de conteúdos em 4K continua sendo ínfima, algo necessário para acompanhar a tecnologia.
  3. Produção original com influencers. Ante a luta pela audiência, os produtores sabem onde encontrar esse público: nas redes sociais e plataformas como YouTube. Daí que cada vez mais encontremos elencos que misturam talento tradicional e as “novas estrelas” do mundo digital, que arrastam um fandom tão incondicional que não só assiste, como também compartilha e amplifica os conteúdos.
  4. Descobrimento do conteúdo. Somada à tendência da produção de conteúdo original, muito forte principalmente nos Estados Unidos, está a da agregação: oferecer um universo de conteúdos vindos de diferentes fontes. O desafio consiste em facilitar a vida do usuário, que no fim das contas que acessar qualquer tipo de conteúdo através de um buscador, uma organização e uma recomendação de conteúdos inteligente e personalizada. Para conseguir isso, a receita combina não apenas algoritmos e experiência de usuário, como também acessar e analisar corretamente o fluxo de big data.
  5. O vídeo será celular. Ou pelo menos é o que parece, julgando pela atenção que os pesos pesados da indústria dão a este aspecto. Como curiosidade, tanto Ben Sherwood, presidente do grupo Disney ABC, como Marion Edwards, presidenta da International da 20th Century Fox, incidiram na mesma coisa: nos 4 bilhões de smartphones que existirão daqui aos próximos cinco anos, e um novo modo de criar conteúdos, que nasce de um novo consumo criado por uma nova tecnologia.

De momento, os conteúdos continuam sendo a peça fundamental na diferenciação da oferta televisiva. De resto, parece que a própria invenção da televisão em 1915 é a maior inovação que a indústria do entretenimento já viveu. A possibilidade de chegar a um público massivo através da imagem e do som teve um enorme impacto social, desde como afetou o voto nas eleições de 1960 entre John F. Kennedy e Richard Nixon e o papel determinante que desempenha na política desde então; a imagem (e o sentimento de esperança e progresso) do homem chegando na lua; o declínio, também, com os atentados ao vivo do 11 de setembro; ou como a educação se infiltrou em nossas casas com programas como Vila Sésamo ou Rá Tim Bum. Sem dúvida, o mundo digital está transformando aquela televisão em algo novo… A questão é se será tão revolucionário com para formar parte da pequena lista dos cisnes negros do futuro.

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