Tecnomedo: dados, robôs e outros medos da tecnologia

Por , 3 de Novembro de 2016 a las 07:00
Tecnomedo: dados, robôs e outros medos da tecnologia
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Tecnomedo: dados, robôs e outros medos da tecnologia

Por , 3 de Novembro de 2016 a las 07:00

Este não é um texto “conspiranóico”, muito menos tecnófobo; mas, às vezes, é divertido adotar esta perspectiva –e hoje é um dia tão bom quanto qualquer outro (ou até melhor, aproveitando que o gosto do Halloween ainda está no ar) para fazer isso

Muitas pessoas temem a tecnologia, de forma justificada ou irracional. Este medo pode vir da própria evolução tecnológica. Ao avançar como um cavalo desbocado, a ciência e a tecnologia acabam provocando que aquilo que compreendemos do mundo se transforme constantemente e de formas, às vezes, pouco previsíveis, o que origina essa sensação de incerteza e o temor a chegar a algo que poderia nos destruir.

Por outro lado, também pode vir de temas menos filosóficos e mais concretos. Esqueçamos por alguns instantes as próteses mecânicas ou os braços robóticos que cirurgiões podem usar para conseguir maior precisão e diminuir o risco de contaminação e pensemos num desfile de robôs uniformizados, soldados dispensáveis e resistentes controlados à distância. Petman foi criado para resgates em zonas de ataques químicos e ações de vigilância, mas muito facilmente poderia empunhar (ou, por que não, incorporar) um rifle ou uma metralhadora como a criação sul-coreana Super aEgis II, com sensores térmicos (o que implica que não importa se é de noite ou se a visibilidade é baixa) capazes de trabalhar em objetivos humanos a até 3 km de distância.

Menos agressivos, mas igualmente aterrorizantes podem ser os drones de vigilância. Imaginem um pequeno enxame de robôs voadores dando uma volta e recopilando informação (vídeos, áudios e ainda mais, dependendo dos sensores incorporados) sobre o que você faz e alimentando com toda essa informação os servidores de quem sabe que organização ou governo. O que nos traz exatamente a outro possível origem desses temores: porque nem tudo tem que vir necessariamente dos hardwares, as inteligências artificiais e, ainda mais, os dados também desempenham um papel importante na hora de tirar o sono de mais de um.

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Tudo o que fazemos, não só online como também fisicamente, gera informação. Obviamente, a quantidade de dados gerados nos dias de hoje é muito maior que nas eras precedentes, daí o “big” do big data. Não só isso, temos a nossa disposição meios de recopilar esta informação e fazer uma análise de tal forma que sabemos que se você usa uma série de palavras de forma recorrente em suas redes sociais existe o risco de que você venha a se suicidar nos próximos meses (e poderíamos lhe ajudar) ou que, com as compras que você realizou e seu histórico familiar saibamos quais doenças são as que você tem maior predisposição (e poderemos aumentar o valor do seu seguro médico). A falta de intimidade dentro do mundo online pode favorecer a despersonalização, fazendo-nos esquecer que por trás do monitor existe uma pessoa. Tanto em um extremo como no outro. Pois, ao mesmo tempo que a intimidade se dilui, também aumenta o anonimato e a sensação de criticar com impunidade pode acabar revelando o pior de nós.

Das máquinas e robôs programados com ações específicas predefinidas e limitadas transcendemos a sistemas capazes de derrotar campeões de Go e aprender com o input que recebem de diversas fontes. O grande temor chega exatamente do suposto de que os processos de machine learning provoquem que uma inteligência artificial se desboque de tal forma que o software entre num ciclo atrás do outro de melhora, ficando cada vez mais inteligente e se transformado numa superinteligência que supere os limites da compreensão humana. Uma vez ocorrido isso, o mais provável, ao menos de acordo com a ficção científica, seria que a super-IA, por nosso próprio bem e segurança, limite nossa liberdade de alguma forma (pela força, como Skynet de Terminator ou V.I.K.I. de I, Robot; ou por enganos, como as Máquinas de Matrix ou AUTO, de WALL-E). O que nos leva a nossa última forma de temor tecnológico e o, talvez, mais insidioso de todos: aquilo que nós mesmos fazemos com a tecnologia para nos controlar.

Sim, está bastante relacionado com tudo o que falávamos antes. Os drones de vigilância, os soldados robôs, o acesso a dados sensíveis. Mas vai além disso. Falamos aqui das distopias que nos foram apresentadas através da literatura, nas que nos vemos dominados por inteligências humanas que nos manipulam como marionetes unidas à fibra ótica.

Tanto 1984 como Admirável Mundo Novo nos revelam argumentos que continuam sendo bastante atuais nesse sentido. A censura do pensamento, a ocultação ou manipulação da verdade ou, ao contrário, tal quantidade de informação que a verdade e a verdade e a atualidade se tornam irrelevantes.

Ser controlados e destituídos de nossa humanidade por aquilo que odiamos ou por aquilo que amamos. Ou ambos, ao mesmo tempo. Visto dessa forma, realmente dá um pouco de medo.

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