Novo passo no neuromarketing: detecção de emoções com sinais wireless

Por , 21 de Outubro de 2016 a las 19:00
Novo passo no neuromarketing: detecção de emoções com sinais wireless
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Novo passo no neuromarketing: detecção de emoções com sinais wireless

Por , 21 de Outubro de 2016 a las 19:00

Cientistas do MIT apresentam um dispositivo capaz de determinar o estado de ânimo das pessoas através de sinais wireless. Esta nova ferramenta, muito mais precisa que as técnicas usadas até agora, pretende humanizar a interação dos usuários com a tecnologia.

Como se fosse um romance de George Orwell, chegou o dia em que a tecnologia é capaz de determinar as emoções das pessoas. No entanto, longe do mundo distópico que o escritor britânico relatava, esta invenção chega para nos fazer sentir melhor, assim como para facilitar o trabalho de diversos setores, já que, graças à detecção dos estados de ânimo, as empresas ou os próprios dispositivos poderão se ajustar a nossos interesses.

Já faz tempo que se vem falando de técnicas para determinar as emoções dos indivíduos. Neste sentido, as empresas viram uma oportunidade de aplicar essa tecnologia no âmbito dos estudos de mercado. A disciplina do neuromarketing, nascida na Universidade de Harvard lá por 1990, estuda as respostas emocionais e sensório-motoras das pessoas ante estímulos de marketing, apoiando-se para isso em técnicas procedentes do campo da neurociência. A leitura dos rasgos faciais e a detecção de emoção em texto escrito e algoritmos sonoros são os métodos mais usados nesta matéria. Principalmente aqueles fundamentados na análise de expressões faciais tiveram uma maior repercussão na prática. Sua mecânica consiste em monitorar os movimentos da boca e olhos com uma câmera e posteriormente processas os dados com um algoritmo de machine learning. O problema destas ferramentas reside em sua falta de fiabilidade na hora de tirar conclusões sobre o que se observou. Tal e como acontece com os detectores de mentiras, uma pessoa treinada pode mascarar tais manifestações para que o dispositivo não seja capaz de ler seu estado anímico. Uma cara de pôquer é suficiente para provocar uma inexatidão. Do mesmo jeito, escolhendo as palavras cuidadosamente ou modulando a voz é possível saltar outras técnicas comentadas.

Agora um grupo de pesquisadores do Laboratório de Inteligência Artificial (CSAIL) do MIT desenvolveram EQ-Radio, um aparelho que pode usar sinais wireless para detectar nosso estado emocional de uma maneira mais precisa. Medindo a variabilidade do pulso cardíaco e da respiração com a mesma exatidão que um monitor de cardiograma, este dispositivo determina com um 87% de probabilidade se a pessoa sente alegria, prazer, ira ou tristeza. Os dados se executam através de uma série de algoritmos e são processados por uma máquina de autoaprendizagem que procura parâmetros que coincidam com o comportamento de uma pessoa que sente uma emoção específica. De momento, EQ-Radio precisa da participação voluntária dos usuários. A ferramenta requer que os participantes realizem ações como respirar profundamente algumas vezes para monitorar e definir suas emoções posteriormente. Os especialistas nos assunto aclaram que ainda que ditas correlações mudem dependendo do indivíduo, os resultados são o suficientemente estáveis para tirar conclusões exatas.

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Foto: MIT

Em sua apresentação, os desenvolvedores do dispositivo fizeram uma comparação com outros sistemas usados na atualidade como a API Emotion de Microsoft, que se baseia na técnica de reconhecimento facial. Os resultados mostraram que o EQ-Radio obteve informação muito mais precisa para identificar a alegria, a tristeza e a ira nos usuários, enquanto que ambos aparelhos obtiveram a mesma confiabilidade determinando as emoções neutras ou a ausência de emoções. Uma grande vantagem desta técnica é que não há a necessidade de colocar nenhum sensor no corpo, o que permite uma análise mais cômoda e fluida.

Como se pode aplicar esta tecnologia?

No campo do neuromarketing é onde, de momentos, se está dando maior uso a estes sistemas, ainda que as possibilidades de uso são imensas. Neste sentido, a indústria do entretenimento e os estudos sobre comportamento do consumidor é onde se prevê que estejam os potencias usos do dispositivo. Os estúdios de cinema poderiam conhecer, em tempo real, as reações dos espectadores ante um filme, enquanto que as agências de publicidade poderiam entender com certeza o que sentem seus clientes ao consumir um produto, algo decisivo para as marcas. Do mesmo modo, em função das emoções predominantes dos usuários em lojas e lares seria possível gerar ambientes inteligentes que adequassem a música e a iluminação para favorecer a venda ou o bem-estar. Por último, esta técnica serviria no âmbito da saúde ajudando a controlar e diagnosticar doenças como a depressão e a ansiedade.

Vemos como, pouco a pouco a tecnologia continua avançando em seu propósito de ajudar a humanidade e facilitar a vida das pessoas.

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