Microbots e microinternet das coisas: quando nossos órgãos nos enviam mensagens

Por , 11 de Outubro de 2016 a las 19:00
Microbots e microinternet das coisas: quando nossos órgãos nos enviam mensagens
Futuro

Microbots e microinternet das coisas: quando nossos órgãos nos enviam mensagens

Por , 11 de Outubro de 2016 a las 19:00

Assim, os avanços em miniaturização em diversos campos, como por exemplo as tecnologias MEM (Micro Eletro Mecânico), estão permitindo ampliar o rango dos objetos que se conectam à internet a objetos de tamanho ínfimo. Esta possibilidade, cujo maior exemplo se encontra na tendência Smart Dust, cujo objetivo é que pequenas entidades de 1mm possam se conectar à Internet e ter certa capacidade de processamento, abre a porta a novos aplicativos que agora nem sequer somos capazes de prever. Passaríamos de uma situação na que alguns objetos possuem conexão à internet e certa capacidade de perceber o ambiente a possuir autênticos exércitos de objetos conectados que possam receber e enviar dados e, até realizar alguma ação simples, pelo que se transformariam em micromáquinas.

As possibilidades desta tendência estão ainda por definir, ainda que já existem alguns campos nos que se estão aventurando possíveis aplicações para estas microcoisas conectas à internet. Por exemplo, no mundo da agricultura, um modelo de sensores de pequeno tamanho com capacidade de conexão pode permitir uns níveis de monitoramento até agora impensáveis; assim, num vinhedo cada uma das cepas poderia enviar dados a um sistema central de gestão e o mesmo poderia acontecer com outro tipo de produtos como frutais ou oliveiras.

No mundo da engenharia civil, seria possível o uso de milhares de sensores que permitam criar ambientes inteligentes ou identificar problemas estruturais nos edifícios, detectando rachaduras de tamanho microscópico. Este potencial poderia ser levado para a monitorização do meio ambiente, sendo possível observar com maior granularidade aspectos meio ambientais, detectando contaminação ou até indicando os pontos nos que é mais provável a aparição de incêndios.

No terreno da saúde já se começa a falar de microbots que possam detectar anomalias no organismo e até mesmo algum tipo de ação corretiva. A máxima expressão na miniaturização deste tipo de dispositivos usados no mundo da saúde seriam os nanobots que poderiam circular pelo sangue como outra célula qualquer. Por hor, trata-se de uma ideia que ainda está numa fase embrionária e que ainda precisará de grandes investimentos e pesquisa e desenvolvimento até conseguir o grau que permita uma difusão massiva.

No entanto, trata-se de um objetivo que já está sendo abordado e sobre o qual se estão realizando desenvolvimentos que começam a dar seus frutos. Assim, na Universidade da Califórnia estão trabalhando microbots impressos por tecnologia 3D que se impulsionam por peróxido de hidrogênio e são controlados magneticamente. Se denominam micro-fish e podem ser considerados um primeiro avanço no desenvolvimento de pequenos robôs que possam depurar o organismo e entregar medicação de uma forma controlada e exata.

No seguinte vídeo se observa como pesquisadores da Johns Hopkins University estão desenvolvendo um novo modelo de microbots que prometem ter a capacidade de desobstruir artérias.

Trata-se por agora de protótipos, mas nos mostram como o que era apenas ficção científica pode se transformar em realidade. De fato, já estão sendo realizados testes com ratos tratados com uns microbots como os mostrados na imagem. Nestes textes, até agora ainda não foram observados efeitos prejudiciais para a saúde do rato e mostram que melhoram a eficiência para conseguir levar elementos ao interior do organismo.

A linha branca representa 5 micrômetros. Fonte: “Artificial Micromotors in the Mouse’s Stomach” by Wei Gao et al., ACS Nano, 2014

A linha branca representa 5 micrômetros.
Fonte: “Artificial Micromotors in the Mouse’s Stomach” by Wei Gao et al., ACS Nano, 2014

As possibilidades que podemos imaginar deste tipo de microbots são muitas, desde destruir cânceres até influir nos níveis de colesterol ou glucose. Se necessitam também desenvolver tecnologias que imitem a natureza e usem conceitos como gradientes químicos ou presença de substâncias para guiar seu movimento e comportamento, o que nos ajudará também a conhecer melhor certas chaves de nosso funcionamento.

A união destas tecnologias com outras como Internet of Things farão com que quando digamos que nosso coração nos está enviando algum sinal, não o diremos de forma metafórica, mas teremos em nosso celular uma mensagem direta do nosso coração ou de qualquer outro órgão, que sabe se com o tempo poderemos chegar a bater um papo com eles?

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