Filmes em realidade virtual. Quando jogo e vídeo se misturam

Por , 10 de Outubro de 2016 a las 07:00
Filmes em realidade virtual. Quando jogo e vídeo se misturam
Futuro

Filmes em realidade virtual. Quando jogo e vídeo se misturam

Por , 10 de Outubro de 2016 a las 07:00

A realidade virtual pode chegar a mudar para sempre o conceito de televisão que temos atualmente. Já existem vários exemplos de filmes nos que o espectador “mergulha” na tela e na trama.

Há décadas, quando a televisão acabava de começar, era em preto e branco e muitos dos filmes, mudos; e as famílias se reuniam ao redor do precário aparelho de tv com a intenção de disfrutar de um programa. Até era muito habitual que se somassem os vizinhos porque muitas famílias não tinham a sorte de poder contar com destes dispositivos.

Atualmente, esta cena parece arcaica, como se não tivesse nada a ver com o que significa ver um filme hoje em dia, quando a maioria das casas contam com ao menos uma TV plana de não sei quantas polegadas e HD que, em alguns casos, já é 4k. A realidade virtual pode chegar a significar outro salto deste tamanho na experiência de ver um filme, que pode transformar em arcaico a maneira em que hoje consumimos televisão.

Resulta que a realidade virtual permitirá ao espectador deixar de ser um espectador passivo, que se larga no sofá com a intenção de consumir a informação que emite o televisor, e poderá começar a ter um papel ativo no filme. Neste caso, por realidade virtual, nos referimos à mistura de técnicas de vídeo 360º com outras técnicas que permitam oferecer experiências imersivas. Um exemplo pioneiro neste tipo de aplicativo foi o curta Gone, gravado pelos criadores de The Walking Dead e cujo trailer podemos assistir abaixo.

O vídeo tenta que o espectador se meta na trama, veja as coisas desde a mesma perspectiva que os personagens principais e até mesmo que possa participar nela. No caso de Gone, o curta-metragem relata o desaparecimento de uma menina num parque cheio de testemunhas. Graças à realidade virtual, o espectador (usando os óculos de realidade virtual da Samsung) pode se mover pelo cenário, procurar pistas, ver coisas diferentes cada vez… A criação deste tipo de filmes precisa da inovação das técnicas de gravação, usando câmeras 360º para gravar todo o cenário.

Gone por trás das câmeras

Gone por trás das câmeras

Ainda que haja diversidade de pareceres sobre os resultados e os espectadores consideram que ainda não se consegue uma verdadeira imersão, pode-se considerar um marco ao transformar a experiência passiva de ver um filme em uma experiência ativa.

Quem tomou o relevo foi VR Noir. A seguir mostramos seu trailer com capacidade de girar nas cenas.

Trata-se de um curta de suspense realizado pela australiana Start VR, no que o espectador pode escolher ver o filme desde o lugar do personagem principal ou desde fora da cena.

vrmovies3

Ainda que os comentários das pessoas que disfrutaram desta experiência são melhores, no geral coincidem em que as tramas e a interpretação ainda não se encontram muito longe daquelas dos filmes convencionais. Outro problema com o que conta este formato é a grande quantidade de informação necessária, por exemplo: um minuto de 3D 360 VR numa qualidade de 4K vem a consumir 100 gigas de memória, o que supõe que o tamanho de um filme virá a ser medido em Teras no lugar de Gigas.

No entanto, considero que se abre um novo modelo no que o filme e o jogo se mistura em um novo tipo de produto que pode ter sucesso comercial e que, com o tempo, pode evoluir até se transformar num novo padrão; para isso deveriam melhorar as infraestruturas de comunicação e armazenamento, além da mudança radical nas técnicas de gravação. A curto prazo, se se é capaz de conseguir um efeito realmente imersivo, acho que pode ser um formato de êxito que consiga juntar experiência visual com a motivação de o jogo. Desta maneira, poderemos ver o filme diversas vezes e, em cada uma delas, descobrir novos detalhes e pistas; poderemos dizer: “eu estava olhando pela janela e vi o assassino, aonde você estava dentro do filme?”

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