O estranho e fascinante negócio de imprimir partes do corpo em 3D

Por , 29 de Setembro de 2016 a las 19:00
O estranho e fascinante negócio de imprimir partes do corpo em 3D
Saúde

O estranho e fascinante negócio de imprimir partes do corpo em 3D

Por , 29 de Setembro de 2016 a las 19:00

Ainda que pareça futurista, a impressão 3D de órgãos e tecidos humanos já é possível, com certas limitações. No momento, os melhores clientes são as farmacêuticas.

A impressão em 3D de tecidos e órgãos não é uma ideia recente. Leva anos em fase de teste e aprimoramento. De fato, já existem várias empresas concentradas em fabricar para vender a companhias farmacêuticas e cosméticas e a centros de pesquisa.

Estes órgãos e tecidos, fabricados com sofisticadas impressoras, aportam uma oportunidade única para pesquisar e testar novos medicamentos e cosméticos. Por isso atraíram os gigantes farmacêuticos, que poderão realizar testes em grupos celulares que recriam perfeitamente o corpo humano e se esquecer dos testes em animais.

Além do mais, estes tecidos podem ser empregados como uma mostra normal e saudável ou podem servir de base para aplicar doenças de modo a investigar tratamentos contra cânceres ou fibroses, por exemplo. Assim, uma farmacêutica pode testar um medicamento num tecido pulmonar ou uma empresa de cosmética pode testar seu último produto sobre tecido dérmico.

Uma das empresas mais conhecidas no negócio é Organovo, a única empresa do setor da bioimpressão 3D que conseguiu ir à bolsa. Especializada na impressão de tecidos do fígado, rim, pele, osso, músculo ou pulmão, esta empresa trabalha com diversas companhias farmacêuticas como Rocher e Pfizer e, também com outras cosméticas que procuram testar suas inovações.

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No seu site oferecem um menu de tecidos, impressos com as características que o cliente precise, além de assessoria sobre qual seria o melhor tipo de design e células em função do objetivo dos testes que a empresa queira realizar.

Em 2013, esta empresa conseguiu recriar com uma impressora 3D uma série de minifígados, combinando diferentes tipos celulares como hepatócitos, células com forma de estrela do fígado e das paredes dos vasos sanguíneos. O tecido impresso teria até a capacidade de produzir proteínas como a albumina, uma função vital deste órgão, além de apresentar certa capacidade de desenvolver uma microrrede de vasos sanguíneos.

No entanto, esta empresa de tecidos personalizados não é a única a oferecer às farmacêuticas conjuntos celulares. RegeneMed, por exemplo, se concentra no desenvolvimento de tecidos do fígado, coração e trato gastrointestinal, equanto que InSphero imprime microtecidos de fígado, pâncras, coração, cérebro e pele. TeViDo é outra startup estado-unidense especializada na criação de tecidos com células humanas, neste caso para criar implantes mamários.

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Mas nem tudo é comercialização de tecido. As próprias impressoras e os materiais que usam também são protagonistas de outros negócios. Nos Estados Unidos uma startup com sede na Filadélfia, BioBots, ofere bioimpressoras 3D e tem por clientes universidades e farmacêuticas que queiram experimentar com este tipo de material sem ter que adaptar uma impressora 3D corrente.

CELLINK é uma startup sueca que, da mesma forma que BioBots, percebeu que o negócio se encontrava em especializar impressoras e tintas. Eles oferecem a tinta, uma espécie de gel composto por células vivas. Com um preço de 99 dólares, a empresa conseguiu desenvolver o material para fabricar cartilagem, concretamente o das orelhas, e já trabalha numa tinta biológica que sirva para imprimir pele.

Transplantes de órgãos impressos: um futuro não tão distante

A experimentação farmacêutica não é o único destino destes órgãos e tecidos. Recentemente, uma equipe de cientistas nos Estados unidos conseguiu implantar com sucesso, em animais, estruturas de tecido vivo fabricadas com uma sofisticada impressora 3D. A pesquisa, desenvolvida pelo Wake Forest Baptist Medica Center, na Carolina do Norte e publicada na revista Nature, dava um grande passo no campo da medicina regenerativa, já que estes tecidos e órgãos poderiam, com tempo e mais investigação, ser implantados em seres humanos.

Até agora, o principal problema no campo dos transplantes era conseguir que o biomaterial não só se mantivesse vivo, como também que servisse de base para que as células proliferassem ao longo da estrutura.

A recente pesquisa americana conseguiu: os cientistas imprimiram estruturas de orelha, osso e músculo que amadureceram para se transformar em tecido funcional e que desenvolveram um sistema de vasos sanguíneos. Alcançaram, além disso, o tamanho adequado e a resistência e funcionalidade necessárias para serem usados em seres humanos.

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Ainda que pareça ficção científica, o mundo dos transplantes já deu pequenos passos junto à impressão 3D, especialmente no caso de transplantes de órgãos ocos como traqueias, já realizado com sucesso em pacientes com traqueobroncomalacia.

Desta forma, os órgãos ocos como uma bexiga, um intestino ou uma traqueia podem ser reproduzidos e recobertos com células-tronco para evitar a rejeição, pelo que estão sendo a primeira aproximação à união entre transplante e impressão 3D.

Fabricar órgãos mais complexos que possam ser implantados em humanos é o próximo passo no estranho e fascinante mundo da impressão de partes do corpo, cujo último objetivo seria a desaparição das listas de espera de transplantes.

Imagens: Wikimedia Commons e Wake Forest Baptist Medical Center

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