Nosso DNA poderia armazenar toda a informação gerada no mundo?

Por , 19 de Setembro de 2016 a las 07:00
Nosso DNA poderia armazenar toda a informação gerada no mundo?
Futuro

Nosso DNA poderia armazenar toda a informação gerada no mundo?

Por , 19 de Setembro de 2016 a las 07:00

Cada dia uma enorme quantidade de big data, mais que a produzida em toda a história. Será o DNA um bom suporte de armazenagem?

Todos os dias é gerado no mundo 2,5 quintilhões de bytes de dados, o que equivale a oito milhões de vezes a quantidade de estrelas existentes no universo. De acordo com IBM, 90% da informação que manejamos hoje em dia foi gerada nos últimos dois anos. Outro exemplo que ilustra a revolução que supõe o big data: somente em 2007 foi produzido o mesmo volume de informação que o gerado em toda a história da humanidade até hoje. Dados que mostram a rapidez e a vertigem que produza a enorme quantidade de dados gerada nos últimos tempos.

Além das aplicações em campos como a saúde, o turismo ou a agricultura, um dos desafios principais do big data é saber como será possível armazenar toda a informação criada. No âmbito da genética, já existem alguns estudos que apontam que todo o big data genético precisaria de 1021 supercomputadores com o potencial de computação dos quatro melhores computadores que existem hoje no mundo (Tianhe-2, Titan, Sequoia e K-computer) para armazenar e gerenciar todos os dados relacionados com nosso DNA.

Mas, nosso material genético poderia ser um bom suporte para o big data gerado? De acordo com um recente estudo do MIT, nossas células poderiam se transformar nos discos rígidos do futuro, graças à técnica da edição genômica. O uso do DNA como suporte de informação não é completamente inaudito, já que um trabalho publicado em 2012 pelo equipo de George Church foi capaz de “traduzir” nesta molécula um livro de 53.000 palavras e 11 imagens. Recentemente outro grupo de cientistas conseguiu codificar informação digital em DNA sintético.

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O uso do DNA bacteriano para armazenar o big data gerado no mundo não é uma hipótese inverossímil. Uma análise publicada em Nature News indicava que este tipo de suporte poderia rivalizar a médio prazo com a tecnologia usada atualmente. Na opinião de Andy Extance, a pesar de que a velocidade de escritura e leitura seria menor, o DNA apresentaria outras vantagens como ferramenta de armazenamento. A capacidade de retenção de dados, superior aos cem anos; a energia usada e a densidade de dados são algumas das características nas que esta molécula poderia ser melhor que os sistemas convencionais.

Alcançar este potencial não será fácil. No entanto, especialistas consultados pela Nature indicam que daqui a dez anos teremos que procurar além do silício. Nesse contexto, o DNA poderia ser um dos candidatos mais firmes para substituir a tecnologia atual de armazenamento do big data. Microsoft Research realizou um dos últimos e maiores movimentos neste cenário no último mês de julho ao conseguir armazenar 200 megabytes de informação em filamentos de DNA, vinte vezes mais do que o recorde conseguido anteriormente. Será questão de tempo que pesquisas como esta obtenham avanços superiores, para que a molécula que guarda nossa informação genética confirme todo seu potencial.

Imagens | DARPA (Wikimedia), Nature News

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