Pais helicóptero de… Órfãos digitais!

Por , 30 de Julho de 2016 a las 12:00
Pais helicóptero de… Órfãos digitais!
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Pais helicóptero de… Órfãos digitais!

Por , 30 de Julho de 2016 a las 12:00

Me surpreende ver como seguimos superprotegendo nossos filhos até mesmo quando já não são tão pequenos. Não perdemos eles de vista quando ao dez anos já íamos sozinhos na padaria. Como agora “há muitos mais perigos” nos transformamos em pais taxistas, levando e trazendo nossas crianças a todos os lugares.

No entanto, esta superproteção das crianças no mundo real contrasta escandalosamente com a absoluta liberdade e independência que lhes damos na internet. Navegam, batem papo o jogam completamente sozinhos durante horas sem que seus protetores pais tenham a menor ideia do que andam fazendo.

Se chamasse você de “pai helicóptero de um órfão digital”, provavelmente viraria a cabeça pensando que não me dirijo a você. Mas o que vejo ao redor é que todos os pais somos um pouco assim em maior ou menor medida.

Você é realmente um pai helicóptero?

Pai helicóptero é uma maneira coloquial de se referir a um comportamento bastante millennial de pais que prestam muita atenção aos problemas e experiências de seus filhos, que pairam ao redor das crianças, mantendo elas no radar precisem ou não.

Alguma dessas situações lhe é familiar?

  • Seu filho de 5 anos continua tomando mamadeira para não se sujar.
  • Você vai conversar com os colegas ou os pais porque eles estão sem falar com seu filho.
  • Você pede a outros pais que repasse por WhatsApp os deveres que seu filho se esqueceu ou comprova que ele está levando tudo pra escola… Na porta da escola.
  • Você procura o boné dele por toda a escola ou pergunta por ele aos outros pais.
  • Você usa as reuniões com professores para se queixar das notas das provas.
  • Você sai correndo atrás dele com a garrafa de água quando ele desce pra jogar bola.
  • Você ajuda tanto nos trabalhos que termina manifestando o seu engenheiro interior.
  • Vocês têm uma prova de história.

Se algumas dessas situações já forma parte de sua experiência, talvez você não seja um “pai helicóptero de combate” que se lança para preencher os formulários de entrada na universidade ou um “pai helicóptero de resgate” que não para de dar uma mãozinha. Provavelmente você seja um “pai helicóptero de tráfico” que proporciona guia e cuidados, ajudando o filho a tomar decisões mas que permite que escolham seu próprio caminho.

No geral, todos dedicamos mais atenção a nossos filhos do que dedicaram a nós. Ok. Queremos que se esforcem ao máximo e tirem boas notas. Perfeito. Mas parece que alguns estão passando do limite. E estamos criando uma geração de jovens que terão dificuldades em reunir a confiança necessária para resolver problemas por si mesmos. Com a inestimável cumplicidade do celular, estamos em contato permanente com eles.

Chova ou faça sol, não deixamos eles sozinhos… Até que pegam sinal wifi!

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Manuseiam o celular com uma facilidade que assusta e uma tablet em suas mãos em um mundo de possibilidades. Respiram wifi. Tanto que a moeda de câmbio mais potente para negociar com um adolescente é a senha do roteador. Os pais se preocupam, mas não se ocupam… O mundo virtual, como o real, está cheio de aspectos fascinantes e outros nem tanto. Se você não deixa que seu filho de 12 anos vague sozinho pela cidade grande, também não deveria deixar ele bater papo ou jogar quem sabe o quê sem nenhum tipo de supervisão.

Orfandade é o estado em que ficam os filhos pela morte dos pais, mas também “ausência de amparo”. E desamparados estão muitas crianças, que vagam pela internet sozinhos, sem assistência nem supervisão, adquirindo vícios de uso, estabelecendo relações inadequadas e acessando sem controle sites que não contribuem a seu desenvolvimento.

Vale lembrar que um adolescente que tenha o objetivo de ver o que seus pais não querem que ele veja ou de fazer o que seus pais proibiram expressamente, com certeza encontrará a forma de fazer isso. Os controles parentais são medidas que podem ajudar, mas não deixam de ser barreiras que são efetivas com os menores, mas que um jovem de 15 anos encontrará a maneira de pular. Programá-los é fácil, na internet há disponível inúmeros tutoriais.

Assim que o segredo não está na restrição nem, muito menos, na proibição, mas no acompanhamento que ajuda o desenvolvimento do espírito crítico. Ainda que seja o acompanhamento do ignorante. Muitos pais não o fazem porque não se sentem cômodos nesse mundo. Sentem que não têm nada que ensinar porque não conhecem nada. Erro! Têm a melhor das ferramentas da vida: o senso crítico que seus filhos ainda não terminaram de desenvolver.

Comece com conteúdos adaptados para sua idade

Já existem buscadores criados expressamente para os mais jovens. Usam cores vivas, letras maiores e desenhos simples. Ordenam os resultados mostrando em primeiro lugar as páginas específicas para crianças e depois aquelas revisadas e consideradas apropriadas para elas. Com filtros de segurança e bases de dados de termos inapropriados. Com formulários para que os pais possam incluir palavras e sites que achem que devem ser bloqueados. Kiddle ou Bunis são exemplos magníficos exemplos.

Comece a percorrer o caminho com eles

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Acessar com eles os sites seguros onde vocês podem compartilhar experiências ao mesmo tempo que a criança faz sua biblioteca de sites interessantes é uma boa maneira de começar. Sites como National Geographic Kids com vídeos e jogos sobre animais ou culturas distantes, experimentos espetaculares e descrições de como se fabricam coisas pode ser bem interessante. Ou o site da NASA, com explicações, ilustrações e passatempos para todos os públicos sobre o sistema solar ou os buracos negros.

Outro tipo de sites que podem resultar numa boa iniciação é os de Dogo News, um site de notícias com recomendações literárias, de séries e filmes onde as crianças são tratadas como pessoas inteligentes e curiosas com vontade de conhecer o mundo. O Sports Illustrated Kids que com vídeos, ilustrações e textos fala às crianças do esporte em todas as suas modalidades.

Depois, deixe que eles sejam o guia. Faça o papel do copiloto

Assumir que eles sabem mais e podem nos ensinar é o primeiro passo. Com certeza eles adorarão ser seu SOS digital: pedir ajuda a eles para procurar, configurar ou até entender um app é uma desculpa excelente para começar a “conviver”. Peça que eles sejam os anfitriões de sua viagem ao 2.0 e se surpreende da alegria com que eles se põem mãos à obra. Se você consegue que eles riam de você, vai demorar pouco para que vocês riam juntos.

E tá tudo ok se você propor a seus filhos que lhe ajudem a jogar uma partida nesse videogame que eles estão viciados. Em muitos casos, provavelmente foi você quem pagou, não?

Nem as crianças são de vidro nem vale repetir “disso eu não entendo”

Como disse o sábio, a virtude se encontra no meio. Ter filhos é uma grande responsabilidade. Como também é uma imensa oportunidade para percorrer caminhos que jamais teríamos pensado percorrer. Procure o equilíbrio entre a autonomia e a responsabilidade. Se seu filho pede o carro emprestado, terá que por gasolina depois. Se usa a tablete, que lembre de deixar com bateria.

Nada mais. Nada menos.

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