Olhando além do Vale do Silício: o que os empreendedores latino-americanos podem nos ensinar

Por , 24 de Julho de 2016 a las 19:00
Olhando além do Vale do Silício: o que os empreendedores latino-americanos podem nos ensinar
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Olhando além do Vale do Silício: o que os empreendedores latino-americanos podem nos ensinar

Por , 24 de Julho de 2016 a las 19:00

Se você é um empreendedor, é provável que você sonhe em seguir os passos de Steve Jobs, Bill Gates ou Mark Zuckerberg. Mas e os empresários latino-americanos Damián Voltes,Lorrana Scarpioni ou Leo Prieto?

Muitas vezes ouço aspirantes a empreendedor comemorar apenas histórias do Vale do Silício. Ao fazê-lo, ficam cegos às estratégias bem sucedidas utilizadas em outras partes do mundo.

A América Latina é um grande exemplo de uma região que realmente não deve ser menosprezada. É o local de nascimento de pelo menos seis empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares, e este número deverá ir em aumento. Como a Califórnia, a América Latina incentiva abertamente um espírito empreendedor. Vemos isso na infinidade de organizações públicas e privadas investindo pesadamente em startups em toda a região nos últimos anos.

Examinando a região mais de perto, podemos ver a consequência desse incentivo se desenvolver no Chile

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O recente Índice na Vida Digital da Telefónica, que mede o desenvolvimento digital em 34 países em todo o mundo, descobriu que o Chile é o desenvolvedor mais forte globalmente quando se trata de empreendedorismo digital em relação ao PIB per capita. O apoio do Chile à inovação é tão forte que é muitas vezes referido como Chilecon Valley em homenagem à sua contraparte norte-americana.

Com marcas latino-americanas como GlobantiBillionaire, and Mural.ly tornando-se nomes conhecidos, os inovadores de todo o mundo precisam prestar atenção ao que funciona bem fora do Ocidente.

Tendo experimentado o privilégio de trabalhar com muitas startups, aqui está a minha opinião sobre as lições mais importantes que os empresários podem aprender com a paisagem na América Latina:

Aproveitar as oportunidades de financiamento

Os empresários da América Latina são afortunados em tanto que, atualmente, há muito apoio de seu trabalho, tanto do setor público como do privado. Startup Chile foi o primeiro de muitos fundos patrocinados pelo Estado a surgir na América Latina (hoje ele é acompanhado pela Startup PeruStartup Brazil e muitos mais). A região também tem organizações de financiamento nacionais, como Innpulsa Colombia e Corfo Chile, que oferecem suporte similar.

Enquanto abundante, a concorrência para esses fundos é feroz. Em 2015, a Startup Chile escolheu apenas 90 de 1.600 candidatos para participar de sua 13ª Geração de financiamento. Mas aqueles que ficaram de fora não se desencorajam, avançando para a próxima oportunidade, implacáveis e ansiosos para tentar novamente no próximo round.

Empreendedores em todo o mundo fariam bem em seguir esta abordagem tenaz. Meu conselho é: pesquisar os fundos para os que você está qualificado, construir um caso de negócio forte e, mais importante, certifique-se de cumprir os critérios do investidor antes de se inscrever.

Lembre-se as corporações não são sempre a competência

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A abundância de apoio público e privado para startups na América Latina fez com que muitos empresários da região começassem seus negócios com parcerias empresariais já pensadas. Longe de esperar que seus negócios compitam com empresas do estilo de Google ou Apple, startups latino-americanas vêem seus serviços como complementários.

Um bom exemplo desta abordagem pode ser encontrada na startup chilena Smartbox TV, que desenvolve aplicativos de etiquetas brancas para plataformas de TV por assinatura e emissoras de televisão. Tendo obtido suporte do programa da aceleradora Wayra, da Telefónica, a equipe de SmartBox TV desenvolveu uma série de aplicativos que poderiam ser usados em todas as plataformas da Telefónica. Uma consequência disso, e não é surpresa alguma, é que a maioria dos clientes atuais da Smartbox TV vem da Telefónica.

Smartbox TV demonstra que ser um grande empreendedor nem sempre significa começar um negócio do zero. Antes de arrancar, tome seu tempo para observar o que outras empresas estão fazendo. Você pode desenvolver um produto ou serviço que dê um acesso ao negócio existente para um novo público? Você pode pensar uma parceria que ajudaria a ambos ter sucesso?

Não subestime os benefícios de ser bilíngue

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América Latina oferece 300 milhões de potenciais clientes para startups dispostos a falar a língua deles. Empreendedores que constroem seus negócios nos EUA ou Europa Ocidental devem pensar além de sua própria língua, a fim de aproveitar as oportunidades que esta base de clientes pode oferecer.

Naturalmente, cada país latino-americano é diferente e tem suas próprias nuances culturais. Neste ponto, a importância da localização de uma abordagem de negócios e estratégia não deve ser subestimada. Mas, as empresas que operam em apenas um idioma se colocam em uma desvantagem imediata quando comparada com seus homólogos bi ou multilingues.

Conseguindo um membro da equipe que fale espanhol ou investir em aulas de idiomas para sua equipe pode significar que, pelo menos, poderia-se manter conversas introdutórias de negócios.

Nunca houve um momento mais emocionante para ser um empreendedor digital. O Vale do Silício, sem dúvida, continua com seu trabalho inovador, mas os empreendedores com vontade de deixar a sua marca devem olhar além do Vale e aprender com regiões como a América Latina. Fazer isso pode significar que você não vai perder nada na hora de construir uma empresa de sucesso.

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