Caligrafia ou digitação? Temos que fazer escolher nossos filhos?

Por , 12 de Julho de 2016 a las 07:00
Caligrafia ou digitação? Temos que fazer escolher nossos filhos?
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Caligrafia ou digitação? Temos que fazer escolher nossos filhos?

Por , 12 de Julho de 2016 a las 07:00

Falamos sempre da geração Millennial ou Z como nativos digitais. Mas ensinamos a eles a melhor maneira de abordar as tecnologias?

Com mistura de descrença e consternação recebemos a notícia de que crianças finlandesas nunca mais voltariam na pegar a caneta. Bem lida, a notícia de que a adiantada Finlândia bania escrita a mão, resultava ser uma simples despriorização do ensino de um tipo de letra manual, para introduzir aulas obrigatórias de digitação no lugar. Bravo?

Já pensou em ensinar seus filhos a escrever a máquina com tanta ênfase como os ensinamos a escrever à mão? Ou está mais do lado daqueles que acreditam que o ensino de caligrafia deve ser renovado um pouco para continuar a ser atraente? Se você considera que a digitação é tão valiosa quanto a caligrafia, mas precisa de um “refresco” no ensino de ambos, espero que este seja o seu post.

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Porque estamos “digitalizando” as aulas com deveres interativos, tablets, wi-fi e aulas de robótica, mas ninguém está ensinando meus filhos nem a ter uma boa letra nem a manusear como escrever com soltura num teclado. O tátil é, sem dúvida, mais intuitivo, mais atraente e fácil de usar em todas as áreas… Exceto quando se trata de escrever.

A caligrafia é fundamental. Não posso imaginar o desenvolvimento sem escritura manual. Na verdade, mais de um adulto deveriam ser forçado a refazer os cadernos de caligrafia. Aspecto que, por outro lado, meus filhos não trabalharam nem um quinto do que eu tive que fazer. Trabalhar de forma concentrada com exercícios de caligrafia certamente desenvolve tanto a parte motora como a personalidade. Mas nem no celular nem em qualquer outro artefato é viável escrever um texto longo sem um teclado. E temo que ainda demorará alguns anos para sê-lo. Nem reconhecimento de voz nem nada. A não ser que você dite seus textos de primeira, você terá que engolir QWERTYa vida toda. Pelo que a digitação também é fundamental.

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A importância de aprender a escrever à mão e de continuar fazendo

Embora esteja se tornando moda tomar notas em tablets, está demostrado que aqueles que fazem anotações à mão não só se lembram melhor dos conteúdos, mas também são capazes de desenvolver melhor os conceitos aprendidos. Obtemos melhores resultados em termos de internalização escrevendo à mão, porque o cérebro recebe feedback da atividade motora, por isso, assimila os conceitos de três maneiras: audição, visão e atividade motora. Os movimentos se transformam em memória motora, localizada em algum lugar no cérebro, cria novas conexões entre o que se ouve, se escreve e se lê. Quem dá mais?

A digitação como uma habilidade vital

No entanto, a escola finlandesa demonstra seu enorme bom senso para reconhecer a nova realidade que hoje a escola do século XXI terá que usar, e muito, o teclado. Assim como todos estamos empenhados em que nossos filhos falem o inglês que muitos de nós não pudemos aprender, não nos preocupa que percam o mesmo tempo que nós no teclado, porque escrevemos com dois dedos ou cometemos constantemente erros? Na escola ou em casa, acho que temos que nos esforçar para que as crianças aprendam a digitar mais rápido e da forma mais correta possível. Desde que aprendem as primeiras letras.

Assim que, aos fundamentalistas do digital na escola, eu diria que a escrita à mão tem suas vantagens. E não apenas porque parece que a caneta se dá melhor com nosso cérebro do que o teclado, mas porque obriga a desenvolver habilidades complementares à escrita: o desenvolvimento de um regime anterior que permite estruturar os textos antes de começar a escrever. Aparentemente, o processo de formação que entra em jogo na escrita manual, faz com que as crianças aprendam melhor e mais rápido para expressar suas ideias. E você pode alcançá-la a partir do digital que eles tanto adoram. Com canetas digitais ou o até com o próprio dedo.

E os apocalípticos da velha escola devem reconhecer que, se você sabe digitação, escreve até 5 vezes mais rápido e que com essa capacidade as crianças melhoram sua produtividade para o resto de suas vidas. Claro que não ter calo no dedo é o menor argumento, mas também está demonstrado que a postura ante um teclado, corretamente adotada, é mais saudável para a coluna do que a que adotamos quando escrevemos à mão. E que aprender mecanografia não é mais uma atividade de senhoritas solteironas. Aprender digitação já não é mais nem tedioso ou chato, pois há ferramentas digitais para todos os gostos e idades.

E a todo o mundo, que isto das habilidades é como ter filhos. Que não para deixamos de amar nem um pouquinho o que já temos quando chega um novo bebê.

Fechamos hoje com Aristóteles, que de educação sabia um pouco, quando ele disse que “a virtude é um acordo voluntário adquirido, que é um compromisso entre dois extremos maus, um de excesso e outro por déficit”. E eu acrescentaria, em digital ou em”analógico”, incentive seus filhos a escrever. Resumos, contos, descrições, definições, histórias ou lembretes simples, mas que escrevam. Quanto mais, melhor!

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