Os segredos das plantas carnívoras, captados pela ciência

Por , 29 de Maio de 2016 a las 18:00
Os segredos das plantas carnívoras, captados pela ciência
conhecimento

Os segredos das plantas carnívoras, captados pela ciência

Por , 29 de Maio de 2016 a las 18:00

Desde que Darwin as descreveu pela primeira vez, as plantas carnívoras não deixaram de nos fascinar. Estes são os segredos revelados pela ciência

As plantas carnívoras sempre despertaram uma grande fascinação. Desde que foram descritas por Charles Darwin, estes exemplares provocaram interesse e medo a partes iguais. Mas, mesmo que o pai da teoria da evolução e da seleção natural pensasse que só engoliam insetos, a verdade é que muitos de seus mistérios foram revelados graças à pesquisa.

Hoje em dia, como explicam no blog Ciencia para llevar do CSIC, sabemos que as plantas carnívoras não se alimentam somente de insetos. Foram descritos casos, por exemplo, onde foram capazes de devorar pequenos mamíferos e inclusive crustáceos.

Não comem apenas insetos

O mais impressionante é que foram capazes de se adaptar a meios com pouquíssimos nutrientes, como se vivessem em habitats com uma crise permanente. Desta forma, as plantas carnívoras desenvolveram mecanismos complexos e especializados para ingerir a outros organismos vivos. Diversas pesquisas, como um trabalho desenvolvido sobre a espécie Drosera rotundifolia, também demostraram que o nitrogênio parece acabar com o “apetite” das plantas carnívoras. Pelo menos na Suécia.

Uma das espécies mais conhecidas é a vênus papa-moscas, conhecida cientificamente como Dionaea muscipula. Sua folha, dividida em dois lóbulos, apresenta uma armadilha semelhante a uma mandíbula, onde prende insetos e aracnídeos. Além do mais, possui pequenos pelos em sua parte interna que atuam como molas. No momento em que a planta come algum ser vivo, fecha sua folha em fração de segundos. Um mecanismo tão original quanto surpreendente.

Uma pesquisa, publicada na revista Genome Research, indagou um pouco mais sobre as estratégias que utiliza a vênus papa-moscas. O trabalho, financiado pela União Europeia com 2,5 milhões de euros, mostrou que sua folha se parece mais com um estômago do que com uma flor, ao contrário do que poderíamos pensar. Esta planta, de acordo com o cientista Rainer Hedrich, da Universidade de Wurzburgo teria evoluído há uns 40 milhões de anos a partir de um antepassado, também carnívoro.

Dionaea2

A vênus papa-moscas é um exemplo clássico das pesquisas sobre plantas carnívoras. Mas esta não é a única pesquisa recente sobre a Dionaea. Há alguns meses, cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia, descobriram que estes organismos “sabem” matemática.

De alguma maneira, os exemplares podem “contar”, uma estratégia que serve para determinar quando e como prender suas vítimas. De acordo com a Agência SINC, estas plantas carnívoras são capazes de perceber quantas vezes pousa um inseto sobre seus pelos. Para cada contato que realize, serão segregadas mais enzimas digestivas. O objetivo? Não apenas devorar sua vítima, mas principalmente digerir bem. Desta maneira, o custo benefício de sua peculiar caça será sempre positivo. Um exemplo mais dos mistérios destes organismos que continuam nos fascinando.

Imagens | Pixabay, Peter Shanks (Flicker)

Texto Anterior

O tecnoapaixonamento, ou o amor do século XXI

O tecnoapaixonamento, ou o amor do século XXI
Próximo Texto

Estas casas de papelão se montam em um dia e podem durar 100 anos

Estas casas de papelão se montam em um dia e podem durar 100 anos

Recomendados