Google bota lenha na guerra de plataformas de serviço de mensagens inteligentes

Por , 20 de Maio de 2016 a las 07:00
Google bota lenha na guerra de plataformas de serviço de mensagens inteligentes
Futuro

Google bota lenha na guerra de plataformas de serviço de mensagens inteligentes

Por , 20 de Maio de 2016 a las 07:00

Como seu nome indica, Google Assistant é o novo assistente que chega para substituir Google Now e ser a pedra angular em uma nova plataforma na que a procura se transforma em conversa e na que o usuário acessará a informação com mais facilidade do que nunca.

Há anos se diz que a chave do futuro das companhias tecnológicas passava pela edificação de ecossistemas fortes que, diante da competência, gerassem valor agregado para o usuário ao adquirir os serviços e, em caso de existir, o hardware. É o modelo que Apple continua explorando com Macs, iPads, iPhones e Apple Watch; ou Samsung, com os Galaxys, televisões e outros eletrodomésticos. As empresas de serviços ou software como Google e Facebook estão, pelo contrário, começando uma guerra de plataformas de serviço de mensagens inteligente avançado (inteligência artificial, bots, etc.) que vai dar muito do que falar nos próximos anos.

Concentrando-nos no gigante de Mountain View, não se pode dizer que não fomos avisado do que estava por vir. Leva quase duas décadas servindo buscas a milhões de pessoas, sobre as que realiza um perfil para mostrar publicidade personalizada. Google Now marcou em 2012 um antes e um depos em como adequar a cada instante os dados dos usuários recompilados de maneira transparente. Pela qualidade da informação oferecida, se transformou numa ferramenta imprescindível. Mas Google sabia que algo não estava funcionando. O uso ativo de Now, a pesar de estar cada vez mais integrado na busca, era minoritário. Se sua qualidade e utilidade está mais do que demonstrada, por quê não transformá-lo no eixo da vida de milhões de usuários?

Acende-se assim a mecha para o nascimento de uma nova plataforma baseada em inteligência artificial, governada por Google Assistant e materializada em software com os aplicativos de comunicação Allo e Duo, e no hardware com caixa de som inteligente Home.

Google Assistant é a encarnação de como integrar todas as tecnologias da Goolge e oferece-las ao usuário com o objetivo de brindar informação mais rápida e de qualidade. Por outro lado, de ampliar o negócio que vai dar dinheiro no futuro, a publicidade mostrada, e melhorada, através da crescente procura desde smartphones (em detrimento da busca na web). Para isso, o valor agregado continua sendo a contextualização de todos os dados.

Graças a Google, aprendemos que a busca já não é nada se esta não oferece, de forma automática, respostas não só a nossas dúvidas, mas a nossas dúvidas em uma determinada situação. A grande novidade é que, por primeira vez, esse conhecimento sai do buscador para se integrar e ser oferecido plenamente ao usuário em serviços que utilizamos a qualquer hora. A busca se converte em conversa.

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Com esta base, e situando a segurança como eixo principal, chega Allo, um novo aplicativo de serviço de mensagens instantâneas. Além de seguir as tendências que criaram LINE, Telegram ou Messenger, como bots ou stickers, Allo aproveita a inteligência artificial de Assistant para oferecer ao usuário a possibilidade de responder mensagens com resposta rápidas e preditivas. Ou seja, abandonamos os “estou ocupado, não posso falar” para dar lugar a respostas automáticas complexas que melhorarão quanto mais usemos o serviço.

Algo tão comum como um oferecimento de sair para tomar alguma coisa pode ser respondido com Allo reservando automaticamente uma mesa num restaurante sem mudar de aplicativo. Ainda que poderia entrar em médio prazo, a parte estritamente dedicada aos bots de momento não parece o ponto forte, ainda que, em mãos de desenvolvedores possa supor um entretenimento infinito em forma de jogos e questionários.

Ainda que Hangouts tem função de vídeo chamada, Google sabe que seu uso é minúsculo e que em iOS, FaceTime oferece maior comodidade. Duo é o aplicativo encaminhado a solucionar isto, de maneira inteligente. Diante do clássico “ligar e responder”, Duo oferece ao receptor um contexto em vídeo do que vai ver do outro lado da ligação, numa função batizada “KnockKnock”. A priori parece intensivo, mas enquanto o controle o usuário que liga e não o que recebe, o problema da privacidade é menor.

GoogleAssistant3

A última peça na plataforma é Google Home, a caixa de som/assistente virtual que integra todas estas tecnologias de aprendizado para oferecer respostas inteligentes a todos os membros da casa, como Amazon conseguiu com o grande sucesso da família Echo. Através de sua escuta ativa, para Google não apenas é uma maneira de “ajudar” ao usuário, mas uma grande máquina geradora em cada casa de informação sobre centos de detalhes contextualizados com a que melhorar a inteligência artificial.

Google perdeu há tempos a guerra das redes sociais, mas tem algo em comum com FAcebook. Da mesma forma que na empresa de Mark Zuckerberg, em Mountain View têm muito claro que não querem estar na Internet. Querem ser Internet. Até agora, seus serviços ou sites eram “necessários” e divertidos. Os usuários iam passando de uns para outros cada poucos minutos.

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Mail, calendário, fotos, buscas, mensagens, vídeos. Poucos lugares ofereciam a possibilidade de dar ao usuário tudo de uma vez. E essa é a luta, reter o usuário o maior tempo possível integrando todos os serviços em um, que não apenas some aritmeticamente, mas que expanda as possibilidades geometricamente devido ao vasto conhecimento que conseguiram obter de nós graças ao uso de cada um desses serviços por separado.

Cada empresa tem uma vantagem. Com Google é a busca, com Facebook, a rede social. A priori pode parecer que os azuis vão ganhando frente ao descenso das buscas em mesa, mas, e esta é a chave que devemos entender, Google não se importa em eliminar o conceito tradional de teclar um termo sempre que possa oferecer respostas a todas as questões de nossa vida, até se não o perguntarmos. É, sem dúvida, uma das guerras mais interessantes dos próximos anos. E a isso, contribuirão como soldados os smartphones, a realidade virtual e os wearables.

Imagem principal: Google

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