Passado, presente e futuro dos aviões supersônicos de passageiros

Por , 11 de Maio de 2016 a las 15:00
Passado, presente e futuro dos aviões supersônicos de passageiros
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Passado, presente e futuro dos aviões supersônicos de passageiros

Por , 11 de Maio de 2016 a las 15:00

Repassamos a história dos aviões supersônicos de passageiros, desde o Tupolev Tu-144 até o Concorde, com uma passada pelo que virá depois.

Se há uma constante na história do ser humano, á a vontade de se superar como espécie. Essa e não outra razão é a que nos trouxe à realidade atual que, longe de ser perfeita, está marcada por avanços tecnológicos sem comparação. Isto, que já pode soar como algo óbvio, não deveria ser assim. São estes avanços os que permitem que hoje seja possível conhecer o mundo voando, desde os primeiros esquemas idealizados por Leonardo Da Vinci até o primeiro voo dos irmãos Wright. Mais tarde, esse mesmo espírito de superação nos levou a desenvolver aviões supersônicos de passageiros para voos comerciais, e sua história é o que vamos rever hoje.

Os aviões supersônicos do passado Tupolev

Tu-144, o projeto soviético

Tupolew Tu-144 Technik Museum Sinsheim

Tupolew Tu-144 Technik Museum Sinsheim

Por supersônico, entendemos o avião capaz de superar o número mach, ou seja, voar mais rápido que a velocidade do som. O primeiro avião em alcançá-la foi o Bell X-1, da empresa americana Bell Aircraft, em outubro de 1947. Porém, se voltarmos à área que nos interessa, o verdadeiro primeiro avião supersônico de passageiros foi o Tupolev Tu-144, em uma operação da União Soviética, como ocorreu na corrida espacial, para adiantar-se ao ocidente (França e Inglaterra) na construção de seu Concorde, o projeto estrela. No processo de criação e fabricação do Tupolev trabalharam muitos espiões soviéticos aos que, depois de terem sido descobertos, foram alimentados com dados falsos.

No 31 de dezembro de 1968 se transformou no primeiro avião supersônico de passageiros, ainda que não os fosse transportar de forma regular até 7 anos depois. O importante porém, é que conseguiu superar o Concorde em dois meses, um marco inclusive considerando o processo de espionagem. Em sua história, também encontramos que foi o primeiro avião a alcançar a velocidade de mach 1 e mach 2.

Isto sim, o Tupolev não esteve isento de erros que limitaram muito seu sucesso comparado com seu concorrente. Em primeiro lugar, em sua apresentação no Salão Aeronáutico de Paris em 1973, sofreu um acidente. Por outro lado, sua autonomia ao alcançar altas velocidades era muito baixa, o que não permitia voos transoceânicos. Assim, seu uso se limitou a trajetos na União Soviética. Mais tarde, outro acidente que ocorreu em 1978, fez com que o governo proibisse voos de passageiros. Ficava assim destinado ao transporte de carga e correio. De seus 102 voos regulares, só 55 foram dedicados a passageiros.

Boeing 2707, a tentativa americana

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Antes de chegar na história do Concorde, o único que conseguiu ter certo sucesso, é necessário citar a tentativa de competir da companhia americana Boeing, um dos grandes protagonistas atuais da aviação. Por causa de algumas investigações iniciadas em 1952, a Boeing criou em 1959 o Boeing 2707, mas com exceção da fabricação em escala em 1969, não chegou a ser produzido mais de dois protótipos.

Um de seus grandes problemas foi a dependência do Senado americano, que não chegou a acreditar completamente no projeto, apesar do desejo de limitar o monopólio do futuro Concorde. O Boeing 2707 não conseguiu reinar apesar de ter uma capacidade em cabine superior à do Concorde e um enorme número de pedidos de grandes linhas aéreas. Tanto as autoridades como a própria empresa, observaram que investir em “jumbos” como o 747 não apenas era mais rentável, como também mais eficiente no contexto do aumento do preço dos combustíveis.

Concorde, o autêntico rei supersônico

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Como fomos falando ao longo do artigo, o Concorde é o grande ícone dos aviões supersônicos de passageiros. Não por suas funções, nem pelo seu design, dado que Tupolev tinha mais capacidade de carga ou mais velocidade. É o grande ícone porque durante quase 30 anos permitiu que muitos passageiros realizassem trajetos de Londres a Nova York em 3 horas e meia, comparadas às 7 ou 8 horas dos aviões subsônicos.

Tanto a França como o Reino Unido, juntamente com a Rússia, como vimos com o Tupolev, começaram a planejar na década de 50 a criação de aviões supersônicos para voos comerciais. Porém, logo perceberam que o desenvolvimento e a produção de um modelo por país parecia uma ideia absurda, por isto o Reino Unido fez com que a empresa BAC (British Aircraft Corporation) procurasse uma empresa que fizesse o papel de sócio, encontrando-a só em Aérospatiale, da França. Dos dois modelos projetados, um de curto e outro de longo alcance, só gerou interesse entre os clientes o de longo, por isto, foi o que entrou para a linha de produção.

BAC produziu seu protótipo em Bristol e Aérospatiale, em Toulouse, com o primeiro voo de teste em março de 1969 e superando a velocidade do som em outubro desse mesmo ano. Mesmo que após as demonstrações recebessem muitos pedidos de grandes linhas aéreas, a crise energética e do petróleo de 1973 e os problemas financeiros ocasionados, significaram o cancelamento da maioria dos pedidos. No final, só a Air France e a British Airways solicitaram unidades, e grande parte graças às ajudas de seus correspondentes governos. De outra forma, teria sido um custo que não poderia ser assumido, já que o custo de criação foi 6 vezes superior à cifra estimada.

Durante muitos anos, os Concorde de ambas empresas voaram diária ou quase diariamente para Nova York e outros destinos, com o tema da rentabilidade sempre sobre a mesa, apesar de ter preços de aproximadamente 6255 dólares no final de seus dias. Porém, o que precipitou a saída do Concorde do espaço aéreo, foi o acidente do voo 4590 da Air France no Aeroporto Charles de Gaulle que, apesar de ser o único acontecido em todos esses anos, foi muito dramático, pois deixou 100 passageiros mortos, juntamente com a tripulação e quatro pessoas de terra.

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A causa oficial do acidente foi uma fita metálica que se soltou de um avião que acabava de decolar. Ao bater contra o Concorde, que ia a uma velocidade de 300 km/h, produziu um impacto no depósito de combustível, que não causou danos, mas cuja onda de choque arrebentou uma válvula, que produziu uma fuga de combustível e incendiou o motor 2. O desfecho, apesar dos esforços da tripulação, foi bater contra o Hotel Les Relais Bleus de Gonesse.

Após uma série de modificações para melhorar a segurança, as linhas áreas anunciaram em 2003, que abandonariam os voos do Concorde, alegando que após os atentados de 11 de setembro havia aumentado o medo a voar, o que produziu que a demanda se reduzisse e as companhias dessem adeus ao sonho de que os trajetos supersônicos fossem rentáveis. Após sua saída, a maioria dos modelos foi entregue a museus de aviação ou lugares importantes onde o mítico avião pode brilhar.

O escuro presente

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Após cessar os voos do Concorde, o espaço aéreo, esteve órfão de aviões supersônicos de passageiros. A verdade é que a grave crise econômica mundial que estamos atravessando não foi o melhor contexto para planejar o início de outros projetos que necessitem de tanto investimento e cuja rentabilidade seja, além do mais, incerta. É verdade que voos supersônicos teriam sido grandes substitutos das atuais configurações da primeira classe em certos trajetos, que têm custos superiores aos que oferecia o Concorde, mas também devemos considerar o consumo de combustível. Porém, os avanços técnicos desde os anos 70, data de estreia dos Concorde e quando foram feitas as últimas modificações importantes, fazem pensar que hoje em dia seria possível conseguir algo técnica e tecnologicamente muito superior.

O ansiado futuro

Após os fatos que mencionamos, nos últimos dois ou três anos voltaram a ser notícia certos projetos para devolver ao ar aviões supersônicos de passageiros. Ainda que, para certo tipo de transporte, Hyperloop parece o futuro (ou assim o deseja Elon Musk), para voos transoceânicos, os aviões continuarão, de momento, sem rival. Por isto, personagens como Blake Scholl, têm projetos como Boom com os quais inovar nos transportes.

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Com Boom, sua empresa, apresentou um protótipo que de acordo com ele alcança os 2335 km/h ou 2.2 mach. As vantagens com relação a seu antecessor estariam principalmente na substituição do alumínio por fibra de carbono, o que reduz muito o consumo e aumenta a autonomia. Comparado com o Concorde, isto sim, só seriam oferecidos 40 lugares ao preço aproximado de 5000 dólares, o que pode tornar difícil obter lucros. 40 parece um número pequeno.

Outra grande proposta, e mais sólida, por vir da Airbus é a de “Son of Concorde“, com a que a companhia francesa, afirma poder voar a 4.5 vezes a velocidade do som com dois motores, o que significaria fazer o voo de Londres a Nova York em apenas uma hora. Além do mais, teria a grande vantagem de ter avançado muito na área das explosões sônicas, reduzindo muito o barulho gerado. Assim como a proposta de Boom, também chegaria com uma carga bastante limitada, 21 passageiros.

Imagem principal: bahcodeclub (flickr)

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