Uma “maleta portátil” contra o ebola

Por , 8 de Março de 2016 a las 15:00
Uma “maleta portátil” contra o ebola
Saúde

Uma “maleta portátil” contra o ebola

Por , 8 de Março de 2016 a las 15:00

Contar com métodos de diagnóstico precoce é algo fundamental na medicina, especialmente no caso de surtos epidêmicos como o do ebola na África.

Uma criança de dois anos foi mordida por um morcego na Guiné. Uma situação que não teria passado de uma história a não ser pelo fato de que aquele jovem se transformou no “paciente zero” da epidemia de ebola mais grave da história. 28.599 afetados e 11.299 pacientes mortos depois, a investigação continua para terminar com um terrível surto que afetou especialmente Serra Leoa, Guiné e Libéria, três das regiões mais pobres da África.

Durante os últimos meses, cientistas do setor público e privado juntaram esforços para melhorar nossas defesas diante do vírus mortal. Na tentativa desesperada de curar os pacientes contaminados, os pesquisadores testaram diversas estratégias. O soro experimental ZMapp, o plasma de pessoas que superaram a infecção ou a produção de fármacos como TKM-Ebola e vacinas como cAd3-EBO Z ou VSV-EBOV são bons exemplos deste trabalho ainda inacabado.

Uma das chaves na medicina é contar com métodos de diagnóstico precoce adequados às doenças. No caso do ebola conseguiram avanços como a detecção do vírus com simples tiras de papel ou um teste que consegue resultados em questão de minutos. Resulta que detectar uma doença é fundamental para enfrentá-la, uma afirmação ainda mais importante no caso de surtos epidêmicos tão graves como o ebola.

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Nesse sentido, um consórcio europeu de investigação conseguiu desenvolver uma “maleta portátil” que permitiria levar as ferramentas para sequenciar o DNA de mostras em tempo real. De acordo com o trabalho publicado na Nature, a análise genômica é desejável para caracterizar o agente causante da infecção e determinar sua evolução. Assim, o sequenciamento de DNA também permite identificar as “assinaturas” da adaptação dos hospedeiros, bem como detectar e monitorar possíveis “alvos” para o diagnóstico. Por último, esta maleta portátil ajudaria a caracterizar as respostas dos pacientes às vacinas e tratamentos contra o ebola.

De acordo com as pesquisas realizadas durante os últimos meses, o vírus do ebola conseguiu acumular entre 16-27 mudanças em cada genoma. Isto quer dizer que devemos nos preocupar não só com sua letalidade, mas também com sua incrível capacidade de mudança, o que poderia dificultar o desenvolvimento de terapias para combater a epidemia. Na investigação publicada, os cientistas apresentam uma “maleta portátil” que utiliza o sequenciamento de DNA por nanoporos e que foi empregada na Guiné.

De acordo com seus resultados, o dispositivo desenvolvido serviu para sequenciar e analisar 142 mostras do vírus do ebola desde março até outubro de 2015. A “maleta portátil” europeia foi capaz de dar os resultados em menos de 24 horas, além de sequenciar o DNA em um intervalo de tempo entre 15 e 60 minutos. Com estes resultados, os pesquisadores acreditam que a “vigilância genômica” em tempo real é possível quando se dispõe de poucos recursos e tão pouco tempo, assim como aconteceu com o surto epidêmico do ebola na África.

Imagens | CDC Global (Flickr), Nature

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