Plantas-lâmpada iluminam a selva no Peru

Por , 29 de Fevereiro de 2016 a las 15:00
Plantas-lâmpada iluminam a selva no Peru
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Plantas-lâmpada iluminam a selva no Peru

Por , 29 de Fevereiro de 2016 a las 15:00

Até alguns dias atrás os habitantes de Nuevo Saposoa, na selva amazônica, viviam na escuridão. Agora suas plantas lhe dão luz.

De 18 às 21 horas. Essa era a faixa horária que tínhamos luz. O suficiente para jantar. Depois se apagavam os geradores, cessava o ruído e o silêncio e a escuridão inundavam de novo nosso alojamento à beira do rio Amazonas, a algumas horas da cidade de Iquitos (no Peru). Quando você está de férias, somente alguns dias, não ter eletricidade não é um grande problema, encaramos como uma aventura, uma experiência. Mas quando a selva é a sua casa, todos os dias, viver no escuro deixa de ser uma aventura para se transformar em uma séria desvantagem na hora de desempenhar atividades cotidianas.

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De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Informática do Peru (INEI), nesta situação encontram-se 42% das zonas rurais da selva do país. Em algumas zonas não há instalação elétrica. Em outras, como no povoado de Nuevo Saposoa, as inundações destruíram há muito tempo os cabos de fornecimento. Desde então as tarefas como estudar se realizam à luz de lanternas, lâmpadas de gás ou candeeiros com combustíveis tóxicos e prejudiciais.

A natureza é a origem de seu problema. Agora, também é a solução. Pesquisadores da Universidade de Engenharia e Tecnologia (UTEC) de Lima desenvolveram plantas-lâmpadaque fornecem luz. Não é ficção científica nem se parecem com a vegetação luminescente do bosque Pandora, no filme Avatar. Trata-se de lâmpadas eficientes de baixo consumo (300 lúmens) cujo funcionamento se baseia na fotossíntese.

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Como funcionam as “plantas-lâmpada”?

As plantas recolhem do meio ambiente o CO2 (dióxido de carbono) e a radiação solar e, de debaixo da terra, a água e os minerais. Através destes componentes, obtêm nutrientes para seu desenvolvimento, mas fabricam em excesso e expulsam os nutrientes que restam no terreno. É então, quando se produz uma interação com microorganismos através de um processo eletroquímico que gera elétrons. O seguinte passo é capturar estes elétrons através de eletrodos e transferi-los para uma bateria e… Fez-se a luz! Já temos uma lâmpada eficiente e ecológica que pode gerar luz durante duas horas e recarregar-se de maneira natural durante o dia.

Como explicam os responsáveis deste revolucionário invento, se trata de um modelo que integra “energia limpa e sustentável, utilizando adequadamente a riqueza natural da zona”.

Para os 173 residentes de Nuevo Saposoa ficaram atrás os prejudiciais e incômodos candeeiros. Suas novas “plantas-lâmpadas” permitem às crianças estudar durante mais horas e aos adultos prolongar suas jornadas de trabalho, o que repercute na melhoria de seu bem-estar e economia.

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Energia limpa e renovável

E enquanto nesta ocasião foram utilizadas espécies vegetais autóctones da zona do povoado de Nuevo Saposoa, os pesquisadores da UTEC garantem que todas as plantas podem ser fonte de energia, em menor ou maior medida. Isto, unindo à simplicidade e facilidade de manipulação do invento, abrirá as portas a uma fonte limpa e renovável de energia que poderia transformar a vida de um grande número de pessoas em diferentes lugares do mundo.

Se quiser ver com seus próprios olhos como a luz brota das plantas e escutar os testemunhos dos pesquisadores e residentes de Nuevo Saposoa, veja o vídeo elaborado pela UTEC. É ilustrativo e emocionante.

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