As vacas conectadas também usam wearables

Por , 5 de Fevereiro de 2016 a las 07:06
As vacas conectadas também usam wearables
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As vacas conectadas também usam wearables

Por , 5 de Fevereiro de 2016 a las 07:06

A Telefônica se associa com Cattle-Watch para conectar a indústria do gado da Internet das Coisas (IoT)

Falo com meu pai sobre wearables. Ele nunca ouviu falar disso. Eu explico que são dispositivos eletrônicos que você veste, como uma pulseira ou um cinto, e diz qual seu pulso, quantos passos você deu ou se comeu demais. Ele faz uma cara de não entender, mas acena positivamente com a cabeça. Eu digo que até mesmo o gado tem seus próprios wearables, que já existem gadgets conectados à Internet que as vacas vestem. Assim é possível monitorá-las e saber se estão doentes, se darão à luz ou se estão bem alimentadas. Meu pai, que a maior parte de sua vida foi um pequeno criador de gado na minha terra, Asturias, alucina. Vemos fotos na Internet, uma janela para o mundo que meu pai descobriu apenas alguns anos atrás. Imagens de vacas que substituíram seus chocalhos tradicionais por modernos colares conectados. “Acho que é muito útil”, diz ele, e lembramos juntos dessas férias em tensão por se uma vaca entrava em trabalho de parto ou outra sofria um acidente. “Com esta tecnologia o pecuarista vê tudo em seu celular até que descobre se lhe roubaram”. Agora é meu pai quem me explica com entusiasmo crescente.

Ambos concordamos em ver esta tecnologia como uma solução, diretamente ligada à produtividade. Não para ele, que nunca aconteceu de ter mais do que duas ou três vacas para consumo da família, mas para grandes fazendas, com rebanhos compostos por milhares de cabeças. É nesses casos que é possível assumir e rentabilizar um investimento em tecnologia desta magnitude. É nesta fase que se verifica que a chamada Internet das Coisas (IoT) vai muito além do fato de ter uma geladeira conectada à internet.

A Internet das vacas

Uma das empresas líderes neste setor é a Cattle-Watch, que assinou recentemente um acordo com a Telefônica para integrar em seus produtos para a América a solução Smart M2M (Machine to Machine), desenvolvida para a gestão e controle das comunicações da Internet das Coisas. Cattle-Watch promove o desenvolvimento e implementação de um sistema que, afirmam, significará uma maior quantidade de alimentos para o mundo.

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Certamente, o objetivo é nobre. Mas como farão isso? Como suas soluções de conectividade com a Internet das Coisas ajudarão aos pecuaristas e à produtividade? Cattle-Watch desenvolveu marcas auriculares (essas placas que são colocadas como brincos) e algumas coleiras eletrônicas (equipadas com sensores capazes de transmitir em áreas sem cobertura móvel e alimentados por energia solar) que se captam e emitem informação sobre o comportamento das vacas, seu estado nutricional e de saúde ou sua localização. Sintomas que poderiam passar despercebidos a olho nu, são agora registrados para assim, por exemplo, poder detectar doenças mais cedo. O criador de gado recebe essas informações diretamente em seu celular ou computador e toma decisões eficientes no manejo do rebanho, economizando tempo e custos. Com o sistema Cattle-Watch também recebe alertas em caso de roubo e pode enviar um drone com câmera incorporada no local onde está o gado. Este “pastor dron” é capaz de fazer uma contagem das cabeças de gado e gravar imagens, tanto diurnas como noturnas, que o agricultor pode ver ao vivo em seu smartphone ou computador sem sair de casa.

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Normal que meu pai fique impressionado, ou não? Quando uma vaca está “perto de dar à luz” manifestam-se nela algumas alterações anatômicas apreciáveis por um bom e experiente observador. Não sei explicar bem, mas meu pai me mostrava quando eu era criança como uma depressão na zona da anca da rês, afundava cada vez mais conforme o dia se aproximava. Isso anunciava um parto próximo e tínhamos que ficar alerta. Agora é possível substituir o olho do pecuarista pela tecnologia capaz de detectar mudanças na temperatura corporal sofrida pelo animal antes do parto, calcular este momento com precisão e se preparar adequadamente.

Existem também outros sistemas que identificam o momento de inseminar uma vaca. Os pesquisadores descobriram que quando o animal entra em cio, se move e se agitou de forma particular. Mas este período só dura entre 12 e 18 horas a cada 21 dias. O sistema Gyuho, desenvolvido pela Futijsu é capaz de identificar este momento com um pedômetro e enviar um alerta para seu telefone ou computador para que ele prepare a inseminação e aumente exponencialmente o sucesso da mesma. Eles dizem que a precisão é tal que o sistema ainda é capaz de indicar o melhor momento para fazer isso se você deseja bezerro seja macho ou fêmea. Inacreditável.

Colares, pulseiras, brincos para as orelhas… até agora falamos dos wearables que os animais “vestem”. Mas você pode imaginar wearables ingeríveis? O que, em humanos ainda está em fase de testes, na pecuária é uma realidade graças a Vital Herd. Esta empresa desenvolveu uma e-pílula que se aloja no estômago ruminante e controla a freqüência cardíaca, respiração, acidez do estômago ou os níveis hormonais, e adverte aos responsáveis, se for detectado um problema. Duplamente surpreendente.

Chegou o momento da Internet das vacas, ovelhas, cabras… A tecnologia atingiu os estábulos e pastos para ficar e revolucionar a forma como os criadores de gado cuidam de seus animais.

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