Um verme pode ser a solução para o problema dos resíduos plásticos

Por , 31 de Janeiro de 2016 a las 12:00
Um verme pode ser a solução para o problema dos resíduos plásticos
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Um verme pode ser a solução para o problema dos resíduos plásticos

Por , 31 de Janeiro de 2016 a las 12:00

O sistema digestivo dessas larvas de apenas 2,5 mm pode processar plástico não biodegradável para transformá-lo em dióxido de carbono e excrementos, em partes iguais.

Das milhares de toneladas de plástico que são descartadas em todo o mundo, oito milhões acabam no fundo dos oceanos a cada ano, colocando seriamente em perigo os ecossistemas do nosso planeta. O consumo massivo de plásticos e as baixas taxas de reciclagem são as principais causas deste grave problema ambiental. Mas um grupo de cientistas da Universidade californiana de Stanford parece ter encontrado a solução para o problema da reciclagem dos resíduos plásticos, em uma pequena larva de besouro, conhecida como bicho-da-farinha.

O segredo deste coleóptero da família Tenebrionidae, na sua forma de larva, reside na capacidade do seu sistema digestivo para processar plástico não biodegradável, tal como poliestireno expandido, para transformá-lo em dióxido de carbono e excrementos, em partes iguais. De acordo com especialistas encarregados da pesquisa, o consumo de plástico não afeta a saúde dessas larvas de apenas 2,5 mm de comprimento. O que as converte em uma poderosa ferramenta natural de decomposição do plástico descartado, muito mais eficaz e amigável para com o meio ambiente que os programas fracassados de coleta seletiva de resíduos plásticos para reciclagem.

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Os resultados da pesquisa, publicados na revista Environmental Science and Technology, mostram que é a primeira vez que são obtidas evidêncisa conclusivas de degradação bacteriana de resíduos plásticos no intestino de um animal. O próximo desafio para os pesquisadores de Stanford é avaliar as possíveis técnicas de extração dessas bactérias do intestino do Tenebrio molitor, para uso direto num processo de degradação microbiológica do plástico em grande escala.

Paralelamente, esta capacidade está sendo estudada em outros insetos, na esperança de encontrar novas espécies de bactérias capazes de atacar os diferentes tipos de resíduos plásticos que jogamos fora todos os dias. Apesar de ter-se testado a eficácia do bicho-da-farinha para destruir o poliestireno expandido, existem outros tipos de resíduos plásticos, tais como tereftalato de polietileno, polietileno de alta e baixa densidade, cloreto de polivinil ou polipropileno, entre muitos outros. Encontrar soluções naturais alternativas para a reciclagem destes compostos, mecanicamente ou por processos químicos complexos baseados em pirólise, hidrogenação, gaseificação ou metanólise, seria uma solução muito mais eficaz, econômica e sustentável, do ponto de vista ambiental.

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Os pesquisadores esperam que esta descoberta possa mudar no futuro próximo os atuais protocolos de gestão de resíduos plásticos gerados em todo o mundo. Com uma tecnologia baseada em microrganismos naturais, seria como voltar para o início dos tempos, quando a própria natureza podia, de forma relativamente fácil, degradar os resíduos gerados por mãos humanas.

Apesar da busca de soluções eficazes para este problema global, especialistas em meio ambiente apelam para o consumo responsável de sacos, embalagens de alimentos e produtos de limpeza e higiene, etc, como uma das principais medidas para reduzir os 300 milhões de toneladas de plástico produzidas a cada ano em todo o mundo.

Imagens | via Universidade de Stanford e pixabay

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