Será um robô seu próximo colega de trabalho?

Por , 26 de Janeiro de 2016 a las 19:00
Será um robô seu próximo colega de trabalho?
Futuro

Será um robô seu próximo colega de trabalho?

Por , 26 de Janeiro de 2016 a las 19:00

Os seres humanos deveriam dirigir carros? Acho que não e que deveria estar proibido“, disse Juan Tomas García da empresa tecnológica ASPgems, citado pelo jornal El País, e ainda acrescenta que “há milhões de ações que não fazem sentido que os seres humanos continuem realizando“.

Este texto citado, as máquinas já aprendem como os seres humanos (11 de dezembro), destaca os progressos realizados no domínio da inteligência artificial e conclui que “superados faz tempo por máquinas em potência de cálculo, capacidade para armazenar informação ou para definir relações entre dados, os seres humanos começam a ser tratados com familiaridade na inteligência“.

A boa notícia é que os cérebros eletrônicos estão se tornando mais perfeitos e mais eficazes e a má é que eles podem ameaçar muitos postos detrabalho que estão sendo amortizados ao ser tarefas perfeitamente realizáveis por máquinas. Todas as revoluções tecnológicas têm efeitos profundos sobre os modelos de produção, a economia e o emprego, mas esta, talvez, possa estar mostrando sinais mais preocupantes que as do passado.

trabalhoautomatizado2Este assunto, cujas manifestações provavelmente estão sendo confundidas com a ressaca da crise financeira originada em 2008, é objeto de análise na publicação “El trabajo en un mundo de sistemas inteligentes” da Fundação Telefônica, uma obra que reflete as opiniões de um grupo de especialistas em tecnologia de empresas e instituições, tais como Microsoft, IBM, Red.es, Pedersen & Partners, Iclaves, a Universidade Carlos III de Madrid, Universidade de Santiago de Compostela, a Telefônica Digital, Telefônica I+D e Fundação Telefônica.

A primeira questão a considerar é: qual proporção de empregos podem ser desempenhados por sistemas inteligentes e robôs? Já um estudo dos professores da Universidade de Oxford Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne (The future of employment: how susceptible are Jobs to computerisation?, 2013) conclui que cerca de 47% das ocupações que existiam em 2010 são suscetíveis de ser executadas por um computador no prazo de 20 ou 30 anos. Previsivelmente, os mais vulneráveis ante a chegada das máquinas estão relacionados com o transporte, logística, produção industrial, construção e trabalho administrativo. A surpresa vem quando também aparecem relacionados ao setor serviços, como por exemplo, os relacionados com as vendas (telemarketing, caixas…). Frey e Osborne vêm como uma solução para esta corrida entre homem e máquina a conversão do trabalhador pouco qualificado para executar profissões que exijam um alto grau de criatividade e habilidades sociais, que em sua opinião são menos mecanizáveis.

Outro estudo publicado em abril de 2015 pela Nesta (Creativity Vs. Robots. The Creative Economy and the Future of Employment) também afirma que as profissões altamente criativas suportarão melhor a ameaça de substituição do homem pela tecnologia, particularmente a robótica e a inteligência artificial. De acordo com o estudo empírico realizado, 21% dos empregos nos EUA são considerados criativos, enquanto na Grã-Bretanha o número é de 24%. Os humanos prevalecem em postos de trabalho onde o produto final já não é bem especificado e que exigem interpretação e quando eles são desenvolvidos em ambientes complexos.

O livro El trabajo en un mundo de sistemas inteligentes admite que os computadores ao serem capazes de traduzir problemas na forma de algoritmos podem resolvê-los em velocidades espetaculares, embora sempre mostraram limitações na hora de “executar reconhecimento de padrões, especialmente em contextos reais em que as condições não são ideais, em que é necessária a integração de muitos tipos de estímulos, ou quando é necessário interpretar situações…

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Os autores não valorizam as relações de superioridade/inferioridade homem-máquina, mas expõem as diferentes posições acadêmicas que existem a este respeito:

Inteligência artificial forte: os seguidores desta opção acreditam que a consciência e outros fenômenos mentais são, em última análise, fenômenos computacionais (no fim das contas os neurônios se comportam como sistemas de zero e uns ao deixar passar impulsos ou não) e, por conseguinte, poderão ser replicados por computadores.

Inteligência artificial fraca: os processos cerebrais causam consciência, e esses processos são suscetíveis de simulação mesmo que tal simulação esteja um pouco longe de ser considerada consciência (como uma simulação de chuva é algo separado da chuva). Os computadores podem chegar a fazer essas simulações, mas nunca terão realmente inteligência.

Processos cerebrais não são suscetíveis nem sequer de simulação computacional. Esta tese é apoiada pelos defensores do dualismo, que considera que existem duas classes de fenômenos no universo: físicos e mentais. Neste caso, não é possível que os computadores tenham inteligência, e nem que sejam capazes de simular os processos inteligentes”.

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Assim, o grupo de especialistas que participaram neste think tank define três possíveis cenários alternativos que podem adotar o mercado de trabalho em 2030:

Em uma visão otimista do futuro aconteceria como em épocas de transformação precedentes: o volume de trabalho que cria a mudança tecnológica é maior que os empregos destruídos. E isso aconteceria desta forma por uma série de razões:

O último estudo mostra que ao longo da história da tecnologia foi criadora de emprego líquido.

Os avanços na tecnologia criam novos empregos e setores de atividades econômica enquanto reduzem outros.

Existem certos tipos de trabalho que somente os seres humanos podem executar, especialmente aqueles que exigem habilidades como criatividade, empatia e compreensão de situações diferentes.

A aplicação prática do desenvolvimento tecnológico não é tão rápida. Embora seja verdade que hoje há muitos protótipos de muitas tecnologias futuristas que vão sendo apresentados, a experiência mostra que muitos anos são geralmente necessários para que tais desenvolvimentos complexos acabem resolvendo todos os casos possíveis e nuances que podem se apresentar.

O segundo cenário que surge é abertamente pessimista e argumenta que, ao contrário de outras revoluções tecnológicas do passado, neste caso os empregos perdidos são mais do que os criados com a nova tecnologia. Os fatores que apoiam essa previsão são:

A substituição de trabalhadores devido à automação é um processo que está em andamento e que irá crescendo ao longo do tempo. As máquinas substituem rapidamente aos humanos criando grandes bolsas de desemprego.

As consequências das desigualdades sociais serão profundas e o desconforto de amplos setores da população constituirá um problema grave.

A última alternativa definida é quase uma versão matizada com final quase feliz do cenário negativo, em que a ação institucional e outros fatores suavizarão o efeito catastrófico da mudança tecnológica sobre o emprego. Os argumentos que sustentam são:

As estruturas sociais, legais e regulamentares irão minimizar o impacto sobre o emprego.

As mudanças serão graduais. Isto seria assim em parte como um resultado do ponto anterior e, em parte, porque a aplicação efetiva de alterações tão importantes exige sincronização de muitos agentes, o que não é fácil de conseguir, pelo menos a curto prazo.

Parte da automatização do trabalho se reequilibrará com novos postos de trabalho artesanais, decorrente da demanda por produtos pessoais e de qualidade alheios à produção-padronizada.

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