Uma cidade inteligente precisa de policiais digitais

Por , 19 de Janeiro de 2016 a las 11:00
Uma cidade inteligente precisa de policiais digitais
Futuro

Uma cidade inteligente precisa de policiais digitais

Por , 19 de Janeiro de 2016 a las 11:00

Quando pensamos em uma cidade inteligente pode vir a nossa mente a imagem de uma cidade ultra-futurista, semelhante à dos filmes de ficção científica de Hollywood. Mas a realidade é bastante diferente; a gestão do tráfego, da iluminação ou dos resíduos é já um fato. Agora, devemos nos preocupar com a segurança cibernética nesses sistemas?

Na Espanha, algumas das grandes cidades já tem projetos ambiciosos para se tornarem cidades inteligentes de ponta. Madrid, Barcelona, Málaga, San Sebastian e Santander são alguns exemplos de prefeituras que têm muito em conta os benefícios que isso implica, e querem começar imediatamente. Sem ir mais longe, Valência será a primeira cidade do país conectada com o apoio da Telefônica Vivo.

Não, o objetivo principal de uma cidade inteligente não é que as cidades se tornem uma espécie de ‘Big Brother‘ no qual o sistema para controlar cada uma das ações que fazemos. A verdadeira missão consiste em gerenciar de forma mais eficiente todos os aspectos da cidade, com o único objetivo de reduzir custos e otimizar os processos.

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Para uma cidade inteligente conseguir estes objetivos exige que o sistema “inteligente” seja integrado diretamente à infraestrutura crítica da cidade. As empresas de energia, telecomunicações, banco e finanças ou saúde são exemplos disso. O problema é que quanto mais interconexão exista entre umas e outras, mais vulnerabilidades podem ter.

Já há agências “oficiais” que trabalham para regular cada cidade inteligente, e proteger seus cidadãos. Mais de 300 especialistas fazem parte do Comitê Técnico de Normalização em Cidades Inteligentes, divididos em cinco subcomitês (infraestrutura, indicadores e semântica, governo e mobilidade, energia e ambiente e destinos turísticos).

Infraestruturas

Obviamente, sendo um sistema informático, o “cérebro” de uma cidade inteligente sofre os mesmos riscos que podem sofrer um computador pessoal. Trojans, worms, ataques de DDoS ou spyware são alguns dos problemas que terão que enfrentar e proteger as cidades inteligentes.

O primeiro problema que enfrentam os especialistas em cibersegurança de cada cidade inteligente é que essas estruturas estão geralmente interligadas, de modo que uma falha em qualquer uma delas pode conduzir a uma reação em cadeia. Por exemplo, se o sistema de controle dos semáforos fosse atacado, não só iria interferir com o bom funcionamento desse sistema, mas também o serviço de ambulâncias estaria trabalhando a partir de informações incorretas.

Por outro lado, devido ao grande número de dispositivos utilizados na implantação de uma cidade inteligente e diversidade tecnológica dos mesmos, é necessário ter ferramentas para “descobrir” quais os dispositivos que estão interagindo dentro do ecossistema da cidade inteligente e fazer uma identificação correta dos mesmos, a fim de evitar a eventual introdução de dispositivos “espiões” ou evitar que os dispositivos originais sejam substituídos.

Os cidadãos inteligentes

De acordo com um artigo escrito por Víctor García-Font, do Internet Interdisciplinary Institute, os principais problemas de segurança que as cidades inteligentes estão enfrentando são:

Falta de atualização do firmware dos dispositivos, devido à existência de um grande número de dispositivos implantados em diferentes locais físicos.

Dificuldades na implementação de novas políticas de autenticação ou a recusa de autorizações nos dispositivos ao redor da cidade e que não têm uma plataforma comum de controle.

No que diz respeito ao armazenamento dos dados indica algumas propostas destinadas a proteger a privacidade dos cidadãos de uma cidade inteligente. Pequenos “truques” que impedem em sua maior parte o acesso de “ladrões”.

As técnicas de Stadistical Disclosure Control (SDC) se baseiam em sobrecarregar pacotes de dados com “ruído” ou informações inúteis, a fim de proteger os dados realmente sensíveis do usuário.

O PIR (Private Information Retrieval) pretende pedir ao servidor mais informação do que a realmente solicitada pelo usuário, a fim de camuflar as informações concretas que este demanda.

A última, o cloacking sugere esconder a identidade dos usuários através de pseudônimos ao acesso serviços baseados em localização, de modo que seja mais difícil para um terceiro localizar-nos.

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Por outro lado, coloca especial ênfase na inclusão de criptografia para cifrar comunicações. Soluções baseadas na instalação de certificados digitais (PKI) nos dispositivos permitem resolver este problema, incluindo também as capacidades para a autentificação e identificação de dispositivos.

Considerando o problema de atualização de dispositivos, seria necessário incorporar ferramentas que, além de realizar o descobrimento de dispositivos em ambientes de cidades inteligentes, permitam realizar uma avaliação de forma persistente se os dispositivos estão atualizados ou, pelo contrário, estão expostos alguma vulnerabilidade conhecida.

Iniciativas como Securing Smart Cities, já trabalham para reunir especialistas em segurança cibernética e levantar problemas e soluções que poderiam afetar o futuro das cidades inteligentes, para poder ser capaz de resolvê-los até mesmo antes de que ocorram. Blackouts repentinos, acidentes em massa ou falhas de segurança em bancos e prisões poderiam ser algumas das terríveis consequências de um ataque a uma cidade inteligente mal protegida.

Na Espanha, alguns projetos como ‘IntelligenTIC‘, tentam identificar as funcionalidades das cidades inteligentes, a fim de desenvolver metodologias e planos para ajudar a sua implementação, incluindo a segurança.

Será que os ciberagentes da lei conseguirão garantir um sistema suficientemente seguro que possa ser aplicado em todas as áreas de uma cidade?

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