O formato digital influi na compreensão da leitura?

Por , 19 de Julho de 2015 a las 12:53
O formato digital influi na compreensão da leitura?
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O formato digital influi na compreensão da leitura?

Por , 19 de Julho de 2015 a las 12:53

Há aspectos negativos ou positivos quanto à leitura no papel se falamos em retenção da informação?

Há pouco tempo, parecia uma piada falar de leitura intensa e profunda em meios que não fossem um livro ou, na sua falta, revistas ou jornais. Entretanto, já não é uma novidade para ninguém que o e-book entrou em nossas vidas e chegou para ficar como fonte de leitura, junto às telas cada vez mais nítidas dos dispositivos móveis e computadores. Segundo o The New Yorker, por trás da leitura e do dispositivo onde lemos há muito mais variáveis que vão além da questão se o meio é impresso ou eletrônico. Essas variáveis influenciam não só na visão, mas no grau de compreensão da leitura e na concentração. E, além do formato, há a mudança comportamental. Na opinião da especialista Anne Mangen, na leitura influi a ergonomia, o tangível do papel frente ao intangível do digital, a disposição das palavras etc.

Chegamos até este ponto. Cabe agora perguntar se a influência da leitura eletrônica é positiva ou negativa. Parece que, no formato digital, o leitor tende a ler mais rápido (algumas vezes, quase por obrigação), de uma maneira mais diagonal e menos linear, buscando mais palavras-chave que seguindo o texto em profundidade. O excesso de informação que encontramos na Internet está por trás deste fato e, a longo prazo, pode fazer com que reflitamos menos sobre o conteúdo que estamos lendo.

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Outro problema é que na leitura online a disposição do texto varia muito em diferentes áreas da página web, o que produz mais cansaço e dispersão, diferente de quando o conteúdo está concentrado em uma só coluna.

Porém, mais do que o formato, o relevante pode ser o que fazemos enquanto lemos. Como dizia antes, a novidade do mundo digital é o excesso de informação. Se bem que há muitos leitores ávidos acostumados a focar no conteúdo e deixar o resto das coisas para quando terminarem o que estão lendo.

Mas há muitos outros, entre os quais eu me incluo, que cresceram com o fenômeno do clique na notícia, e isso pode ser um problema. Tenho comprovado comigo mesmo, e os estudos parecem caminhar nesse sentido, que se leio em versão digital sem estar conectado na internet, meu grau de imersão no texto é similar a quando estudo com um livro impresso.

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Creio que, além do formato do meio que lemos, que sem dúvida gera uma experiência diferente, é necessário desenvolver um sistema educacional da prática de leitura para os novos tempos, tendo em conta que os tablets, por exemplo, já estão nas salas de aula. Como cada vez mais prevalece a cultura do efêmero, mas continuamos lendo conteúdos que são mais profundos, precisamos que a retenção, a assimilação e a utilidade, depois de desligar o Kindle ou fechar o navegador, continue sendo a mesma.

Se os novos formatos são melhores ou piores não é um assunto relevante em longo prazo, pois aqui estão e vão ficar. Mas se em médio e curto prazo as gerações futuras e também a atual, que é a que tem vivido o rompimento, souberem otimizar os recursos para nos adaptarmos a todas as novidades da esfera digital e do conhecimento, essa é a questão realmente importante. Mesmo que a retenção da informação seja menor, a democratização do conhecimento sempre terá um saldo positivo.

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